- Commodities: o LNG asiático teve queda de oferta devido a conflitos, elevando preços e forçando utilities a recorrer ao carvão para manter a geração.
- Contexto de oferta: o estreito de Hormuz quase bloqueado e o Qatar, segundo maior exportador, interrompeu envios de LNG.
- Países em foco: Bangladesh aumenta geração a partir de carvão e importações de carvão; Paquistão busca ampliar produção a partir de fontes domésticas para reduzir vulnerabilidade ao LNG.
- Região e impactos: Filipinas aumenta carvão e reduz LNG; Vietnã negocia fornecimento de carvão; Tailândia aumenta geração no maior parque a carvão para preservar LNG.
- Perspectiva e demanda: o LNG enfrenta demanda menor prevista na Ásia, com analistas projetando menor crescimento de importações em 2026, enquanto a adoção de renováveis ganha espaço.
Em meio a choques de oferta de energia, utilitários asiáticos estão aumentando a geração de energia a partir de carvão para reduzir custos e manter o fornecimento estável. A alta nos preços do LNG e interrupções nos envios alimentam essa mudança, conforme relatos da indústria.
O atraso ou suspensão de embarques LNG vem em meio ao conflito entre EUA e Israel sobre o Irã, que restringe o transporte pelo Estreito de Hormuz. O LNG de Qatar, segundo maior exportador, também foi impactado, elevando ainda mais os preços spot.
No Sul da Ásia, Bangladesh está elevando a geração a partir de carvão e aumentando as importações de energia a carvão neste mês de março, conforme dados governamentais diários. O país busca reduzir a dependência de LNG diante da volatilidade de suprimentos.
Paquistão planeja ampliar a participação de fontes domésticas na geração de energia, depois que adições solares ajudaram a evitar novas interrupções de LNG. O ministro da Energia, Awais Leghari, disse que menos LNG permite maior produção em horários de menor demanda, com carvão local ganhando espaço.
Na região Sudeste, as Filipinas estão aumentando a energia a carvão e reduzindo a produção a partir de LNG. Vietnã negocia fornecimento de carvão, enquanto a Tailândia eleva a geração de sua maior usina a carvão para preservar LNG.
Ao sul, Coreia do Sul planeja aumentar a geração a carvão sem teto e ampliar a participação nuclear, e a maior fornecedora de energia do Japão, a JERA, pretende manter alta a utilização de usinas a carvão. Tais movimentos refletem a busca por segurança de suprimento.
Mudanças no papel do gás natural
O gás natural vem perdendo participação na matriz energética asiática há quase uma década, com o crescimento de renováveis, segundo dados da Ember. Mesmo com grandes investimentos globais em LNG, a demanda regional pode recuar diante de custos elevados e interrupções.
Estudos indicam que oscilações de preço e disponibilidade de LNG elevam o custo para compradores asiáticos, com contratos atrelados ao petróleo em atraso de três meses, o que pode impactar o valor pago a partir de junho.
Analistas da Wood Mackenzie estimam que o conflito reduza fortemente o crescimento da demanda de LNG na Ásia em 2026, diminuindo a projeção de importações para cerca de 5 milhões de toneladas métricas ao ano, frente a previsões anteriores.
Perspectivas de curto prazo
O custo de importação de combustíveis continua alto, o que sustenta a adoção de energia renovável como alternativa econômica. Especialistas ressaltam que choques recentes desafiam a dependência de combustíveis fósseis importados no planejamento energético.
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