- Grandes geradoras de energia renovável reduzem operações no Brasil e demitem, com Atlas Renewable Energy (controlada pelo Global Infrastructure Partners) e Newave Energia (Gerdau/XP) e Voltalia adotando ajustes, sem números exatos.
- Os cortes de geração em usinas eólicas e solares ocorrem desde meados de 2023, impostos pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico para manter o equilíbrio da rede.
- Na Atlas, as perdas de receita com os cortes são de cerca de 25%; a empresa diz estar se reorganizando para sobreviver em um cenário instável.
- A Newave também faz ajustes pontuais para eficiência e sustentabilidade do negócio; a Voltalia planeja reduzir sua força de trabalho em cerca de 10% em vários países, incluindo o Brasil.
- O governo trabalha em soluções estruturais, como ampliação da transmissão e leilões para baterias; há desacordo sobre ressarcimento retroativo, que ainda depende de regulamentação, com estimativas de prejuízos totais próximos de 8 bilhões de reais para o setor.
Grandes geradoras de energia renovável reduzem operações no Brasil, com demissões em usinas eólicas e solares. O movimento ocorre em um cenário de cortes de geração que pesam sobre a viabilidade financeira de projetos existentes e futuros. As empresas afirmam estar readequando estruturas para manter a sustentabilidade dos negócios.
Entre as companhias estão Atlas Renewable Energy, controlada pelo Global Infrastructure Partners (GIP) e pela BlackRock, Newave Energia, com participação da Gerdau, e a francesa Voltalia. Os número exatos de demissões não são informados, mas o foco é reduzir custos e ajustar ativos diante da atual conjuntura setorial.
Essas medidas intensificam a crise que afeta os setores eólico e solar, que passaram a sustentar parte da matriz elétrica brasileira. O setor depende de energia limpa para reduzir vulnerabilidade a choques de oferta de combustíveis fósseis, como o observado em conflitos internacionais recentes.
As restrições de geração, impostas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para evitar desequilíbrios na rede, vêm desde meados de 2023 e, em casos extremos, podem levar ao desligamento de usinas. A ideia é evitar gargalos na transmissão e excesso de oferta em determinados momentos.
Na Atlas, as perdas de receita ficaram em cerca de 25% devido aos cortes, conforme comentário de Manoel de Andrade, vice-presidente de Assuntos Regulatórios e Desenvolvimento. Ele aponta que o volume de energia prometido aos clientes não está sendo entregue, afetando planos de negócio.
Em relação a outros mercados onde o grupo atua, como o Chile, a Atlas busca mitigar impactos por meio de armazenamento de energia ou de dinâmicas de mercado que permitem aquisição de energia adicional para cumprir contratos a preços baixos.
A Newave, resultado de parceria entre a Gerdau e a Newave Capital com participação da XP, também realiza ajustes com foco em eficiência e sustentabilidade. A empresa abriu recentemente um grande complexo solar em Goiás, com investimentos de 1,3 bilhão de reais, e opera majoritariamente no submercado Sudeste, onde a atuação costuma apresentar maior estabilidade.
A Voltalia informou à Reuters que planeja reduzir a força de trabalho em cerca de 10% nos países em que atua, incluindo o Brasil, como parte de uma transformação global. O Brasil continua sendo um mercado estratégico para o grupo, respondendo por uma parcela relevante da capacidade em operação e em construção.
Multinacionais enfrentam retração de investimentos. A Acciona interrompeu investimentos no Brasil em 2024, e fabricantes da cadeia eólica, como a GE, fecharam plantas locais diante da queda de encomendas. Com cerca de 3 gigawatts de usinas solares no país, a Atlas identifica incerteza excessiva e cortes de geração considerados fora da razoabilidade como entraves para novos projetos.
Executivos citam a falta de clareza sobre eventual ressarcimento de perdas. Uma lei de 2023 prevê reembolso parcial, ainda a regulamentar. O Ministério de Minas e Energia afirma que há avanços estruturais, como ampliar a transmissão e estudar leilões de baterias, além de modernizar tarifas. O termo de compromisso com o ressarcimento está em fase final de elaboração, segundo a pasta.
A ABEEólica estima prejuízos acumulados próximos a 8 bilhões de reais devido às restrições de geração, ainda que nem todo o valor possa ser ressarcido. A entidade ressalta que o risco se transformou em incerteza absoluta, levando geradores a tomar decisões mais conservadoras diante do cenário.
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