A Estação Primeira de Mangueira encerrou a primeira noite de desfiles na Sapucaí com o enredo “À flor da terra: no Rio da negritude entre dores e paixões”, do carnavalesco Sidnei França, que faz sua estreia no carnaval carioca. O desfile destacou a presença dos povos bantos, grupo étnico de escravizados trazidos de regiões como […]
A Estação Primeira de Mangueira encerrou a primeira noite de desfiles na Sapucaí com o enredo “À flor da terra: no Rio da negritude entre dores e paixões”, do carnavalesco Sidnei França, que faz sua estreia no carnaval carioca. O desfile destacou a presença dos povos bantos, grupo étnico de escravizados trazidos de regiões como Angola e Moçambique, evidenciando sua influência na cultura carioca, incluindo o uso da cuíca, um instrumento musical de origem banto.
O enredo abordou não apenas a música, mas também aspectos da vida cotidiana, como a sociabilidade nas feiras e a religiosidade, incluindo o culto aos pretos-velhos na Umbanda e a “africanização” de rituais cristãos. O professor Júlio César Medeiros, da UFRJ, contribuiu com dados sobre o Cemitério dos Pretos Novos, onde muitos bantos foram sepultados, reforçando a importância desse legado na narrativa da escola.
Durante o desfile, a Mangueira retratou a vida dos descendentes bantos, com ênfase nos “crias”, frequentemente marginalizados, que simbolizam um futuro promissor. A sonoridade do funk e do samba permeou a apresentação, que também incluiu elementos do catolicismo popular, como a escultura de São Jorge. O carro 3, do Zungu, destacou a sociabilidade no Rio, apresentando figuras como a cantora Leci Brandão e a sacerdotisa Mameto Mabeji.
Um dos momentos marcantes foi a participação de José William Ferreira de Paula, de 12 anos, representando o “cria” do enredo. A letra do samba, rica em referências à resistência e à cultura banto, enfatiza a luta e a identidade da comunidade. Frases como “O povo banto que floresce nas vielas, orgulho de ser favela” sintetizam a mensagem de celebração e resistência que permeou o desfile, reafirmando a importância da herança cultural banto no Rio de Janeiro.
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