Lara Gil, uma antropóloga de Madrid, fez uma cirurgia bariátrica em 2007, aos 19 anos, após várias tentativas de emagrecer sem sucesso. Ela acreditava que a cirurgia resolveria seus problemas de peso, mas agora, em seu livro “Manual para romper un cuerpo”, ela compartilha as consequências físicas e psicológicas da operação. Gil passou a ter problemas de saúde como anemia, perda de cabelo e desnutrição, e descobriu que muitos outros pacientes enfrentam sintomas semelhantes. Ela critica a falta de informações claras sobre a cirurgia e aponta um pacto de silêncio sobre seus efeitos adversos. Gil também fala sobre a gordofobia que sofreu e como isso afetou sua saúde mental. Ela acredita que a sociedade precisa mudar sua visão sobre pessoas gordas, em vez de esperar que elas mudem.
Lara Gil, uma antropóloga de Madrid, publicou o livro “Manual para romper un cuerpo”. A obra relata suas experiências após se submeter a uma cirurgia bariátrica em 2007, quando tinha apenas 19 anos. Gil buscou a operação após anos de dietas sem sucesso, acreditando que a cirurgia resolveria seus problemas de peso.
No livro, Gil compartilha as consequências físicas e psicológicas da cirurgia, revelando um pacto de silêncio sobre os efeitos adversos e a gordofobia que enfrentou. A técnica utilizada foi o Bypass, que reduz o estômago e afeta parte do intestino delgado. Ela descobriu que seu estômago agora tem capacidade de apenas 50 mililitros, comparável a um pequeno tubo de pasta de dentes.
Gil descreve sua vida após a cirurgia como marcada por doenças crônicas. Ela enfrenta anemia, perda de cabelo, deterioração dental e desnutrição. A autora menciona que muitos pacientes compartilham experiências semelhantes em grupos de apoio online, mas os médicos frequentemente não oferecem explicações adequadas sobre os sintomas.
Consequências da Gordofobia
A antropóloga destaca que existe um grande pacto de silêncio em torno da cirurgia bariátrica. Segundo ela, a sociedade perpetua a ideia de que é preferível viver doente do que ser gordo. Gil critica a falta de informações claras por parte dos especialistas e a pressão social que leva pessoas a se submeterem a cirurgias sem compreender os riscos.
Ela também aponta que o efeito rebote é comum, com até 95% das pessoas recuperando peso após dietas e cirurgias. Gil começou a fazer dietas aos doze anos, influenciada por um ambiente familiar que temia que ela engordasse. Sua mãe, acreditando estar ajudando, financiou a cirurgia, sem entender a gordofobia que a filha enfrentava.
Reflexões sobre a Saúde Mental
Gil aborda as consequências psicológicas da cirurgia, como a negação do próprio corpo e a frustração gerada pela busca incessante por um corpo ideal. Ela afirma que, ao buscar ajuda médica, muitas vezes é tratada apenas como um número na balança, o que resulta em negligência e violência verbal.
A relação de Gil com seu corpo mudou ao longo do tempo. Ela passou a aceitar sua forma e a entender que o problema não é ser gordo, mas sim a gordofobia presente na sociedade. Ao expor suas experiências, ela espera ajudar outras pessoas a compreenderem suas realidades e a tomarem decisões informadas sobre seus corpos.
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