- Quase cinco anos após o incêndio que devastou a Notre Dame, Claire Tabouret foi escolhida para projetar seis vitrais modernos da catedral, a serem instalados ainda neste ano.
- O custo estimado é de € four milhões. Os vitrais serão produzidos no Ateliê Simon-Marq, em Reims, com cerca de cinquenta peças de vidro cada.
- A obra faz parte de uma promessa do presidente Emmanuel Macron de um “gesto contemporâneo” para a reconstrução da catedral, gerando tanto apoio quanto protestos e petitions de oposição.
- O design de Tabouret foi apresentado na Grand Palais, após uma retrospectiva em Voorlinden, na Holanda, que celebra a versatilidade de sua arte.
- A artista, de 44 anos, afirma que buscou preservar a “luz branca” interna da igreja e afirmou que o objetivo é estabelecer um diálogo entre as camadas históricas do prédio e as novas intervenções.
Claire Tabouret foi escolhida entre mais de 100 artistas para desenhar seis vitrais para a Notre Dame, após o incêndio que devastou a catedral em 2019. A obra será instalada ainda neste ano, ao custo estimado de €4 milhões, substituindo vitrões de capelas na galeria sul.
A reabertura da Notre Dame ocorreu em 2024, cinco anos após o fogo. O projeto de modernização inclui uma leitura contemporânea da arquitetura histórica, com apoio público do presidente francês Emmanuel Macron e do arcebispo de Paris. A iniciativa gerou protestos e petições de oposição por parte de alguns setores.
Tabouret, que já tinha reconhecimento entre colecionadores e artistas, abriu uma grande exposição individual no Museum Voorlinden, na Holanda, intitulada Weaving waters, Weaving Gestures. Em paralelo, seus vitrais aparecem no Grand Palais, em Paris, antes de chegar a Notre Dame.
Detalhes sobre o projeto
Tabouret foi selecionada após apresentar várias propostas e participar de uma shortlist de oito artistas. Os vitrais serão criados no Atelier Simon-Marq, em Reims, com cerca de 50 peças cada um. A artista descreve a proposta como uma interpretação figurativa do Pentecost.
Os desenhos retratam pessoas em cenas de alegria e movimento, mantendo a tradição simbólica de fogo, vento, pomba e o sopro de Deus, mas em paleta vibrante de azuis, vermelhos, verdes e roxos. A autora afirma que o objetivo é uma linguagem acessível para o público.
Processo criativo e apropriações
O processo envolve pinturas invertidas sobre Plexiglas, uso de stêncil e monotipo, com liberdade artística concedida pela igreja. A oficina de vidro escolhida pela equipa da Notre Dame já trabalhou com mestres como Chagall e Miró, dando respaldo técnico ao projeto.
Tabouret ressalta que a integração de novas camadas em edifícios históricos requer diálogo entre passado e presente. Em entrevista, destacou que o objetivo é manter a “luz branca” interna da catedral enquanto se adiciona uma leitura contemporânea.
Reação e contexto
A proposta foi recebida com apoio público de autoridades, mas também gerou críticas de setores culturais e religiosos que a consideram invasiva. Mesmo diante de alegações de vandalismo cultural, a artista afirma não se deixar abalar pelas críticas e segue com o planejamento.
A artista mora hoje a cerca de uma hora e meia de Paris, com o marido norte-americano e duas filhas pequenas. Questionada sobre a mudança, ela manteve o foco na missão artística, destacando o desejo de manter a vitrine da Notre Dame integrada ao tecido histórico do local.
Exposição atual
Além da participação na Notre Dame, a retrospectiva de Tabouret fica exposta no Voorlinden até 25 de maio. O conjunto apresenta obras em tela, couro sintético, vidro e tapeçarias, evidenciando a diversidade de sua produção. A artista enfatiza a passagem do tempo como tema constante.
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