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Glasgow International 2026 evidencia poder cultural da cidade em tempos difíceis

Glasgow International 2026 destaca a vitalidade da cena artística local e global em mais de trinta espaços, diante de fechos e cortes orçamentários

Lisette May Monroe: Hard Lines at Gulabi Gallery for Glasgow International 2026
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  • Glasgow International 2026 celebra a vitalidade da cena artística da cidade, reunindo mais de sessenta artistas em mais de trinta espaços, em meio a fechamentos e cortes orçamentários locais.
  • o festival inaugura projetos comunitários, como Platform em Easterhouse e Fire Stories, com duas performances públicas nos dias 19 e 20 de junho, partindo do acervo histórico do Craigallian Fire.
  • destaca a mostra dedicada a David Wojnarowicz, some day this will all be crumbling ruins, abrindo a primeira exposição do artista na Escócia na Modern Institute, às margens do Clyde.
  • exibições em destaque incluem Plantation, de Rehana Zaman, no Kelvin Hall, e Can you see us now?, de Jasmine Togo-Brisby, na Gallery of Modern Art, explorando migração, trabalho forçado e histórias silenciadas.
  • o GI valoriza vozes femininas e comunidades sub-representadas, com destaques a artistas como Bettina Grossman, Janet Beat, Renée Helèna Browne, Rae-Yen Song e Lisette May Monroe.

A Glasgow International 2026 chega em meio a um momento difícil para a cena artística local, marcada pelo fechamento do Glasgow CCA e pela ameaça de aumento de aluguel que afeta Trongate 103. O festival, que ocupa mais de 30 espaços na cidade, reúne trabalhos de artistas locais e globais, reforçando a vitalidade cultural de Glasgow.

Dirigido por Helen Nesbit, o GI 2026 aposta em uma curadoria aberta, sem tema único, para permitir que visitantes estabeleçam suas próprias conexões. Mais de 60 artistas participam, com peças em espaços fixos e temporários distribuídos pela cidade.

Entre os destaques, a exposição dedicada a David Wojnarowicz, no The Modern Institute, inaugura a nova unidade da instituição em uma casa geométrica à beira do Clyde. A mostra apresenta fotografias, vídeos e obras que lembram o espírito da cena de Nova York.

No Kelvin Hall, Rehana Zaman apresenta Plantation, uma instalação em movimento que aborda a vida de trabalhadores agrícolas migrantes em Scotland e Punjab, conectando exploração de terras e mão de obra ao legado colonial. A curadoria ressalta a experiência de comunidades invisibilizadas.

Na GOMA, Jasmine Togo-Brisby expõe Can you see us now? com referências à prática de blackbirding e à história de Ni-Vanuatu. A instalação usa esculturas, grafismos e uma pequena casa de madeira para representar trajetórias de deslocamento.

The Hunterian recebe Naeem Mohaiemen com Through a Mirror Darkly, filme que entrelaça imagens de Kent State e Jackson State com entrevistas atuais, discutindo violências de Estado e repressão a protestos, em três telas.

Em The Briggait, Renèe Helèna Browne apresenta Flat, documentando como um parente constrói uma nova moradia em um galpão após a demolição de uma casa. O filme aborda família, envelhecimento e resiliência.

Kinning Park Complex, no sul de Glasgow, celebra 30 anos com The Subtle Body, unindo acervos de Katy Dove e Lygia Clark. A mostra investiga conhecimento corporal, imaginação e memória, com destaque para o filme de Dove sobre crianças de Easterhouse.

A programação destaca também artistas mulheres e práticas de empoderamento, com Bettina Grossman em Cent e Janet Beat em TKTK, ambos reverenciados por meio de filmes, fotografias e obras sonoras que resgatam contribuições históricas.

No Cerrado de GoMA, Jasmin Togo-Brisby e outras artistas apresentam trabalhos que articulam identidades afrodescendentes, memória coletiva e formas de habitar espaço público, reforçando o papel do GI como palco de vozes marginalizadas.

A edição não impõe título ou tema único, mas mantém o foco em artes visuais, cinema, performance e instalação, com obras em linguagem contemporânea e abordagens críticas sobre trauma, colonialismo e corpos em transformação. Glasgow International 2026 confirma resistência criativa da cidade.

O festival também inclui ações comunitárias, como as comissões com plataformas locais e sessões públicas, fortalecendo vínculos entre artistas e comunidades de bairros como Easterhouse e Govan, onde a arte dialoga com realidades cotidianas.

Ao todo, GI 2026 busca celebrar a diversidade de trajetórias artísticas e continuar conectando Glasgow a redes internacionais, mesmo diante de desafios financeiros, estruturais e de segurança para a cultura na cidade.

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