“Memórias de um corpo que arde” se destaca como uma obra singular no cinema costarriquenho, não apenas pela sua indicação ao prêmio Goya de melhor filme ibero-americano, mas também pelo impacto que causou ao abordar a sexualidade de mulheres mais velhas. A diretora Antonella Sudasassi Furniss, de 39 anos, conseguiu criar um diálogo intergeracional ao […]
“Memórias de um corpo que arde” se destaca como uma obra singular no cinema costarriquenho, não apenas pela sua indicação ao prêmio Goya de melhor filme ibero-americano, mas também pelo impacto que causou ao abordar a sexualidade de mulheres mais velhas. A diretora Antonella Sudasassi Furniss, de 39 anos, conseguiu criar um diálogo intergeracional ao incentivar que famílias assistissem ao filme juntas, promovendo discussões sobre temas muitas vezes considerados tabus. A narrativa entrelaça relatos de diversas mulheres, que compartilham suas experiências em uma sociedade conservadora, com uma atriz, Sol Carballo, interpretando suas histórias em um único cenário.
A cineasta expressou sua satisfação com a recepção do filme em seu país, ressaltando que ele gerou uma “dinâmica maravilhosa” entre o público. Sudasassi, que já havia conquistado reconhecimento internacional com seu primeiro longa-metragem, “El despertar de las hormigas”, continuou sua exploração da sexualidade feminina em “Memórias de um corpo que arde”. O filme, que foi premiado em vários festivais, incluindo o de Busan, se tornou a produção nacional mais assistida em salas de cinema na Costa Rica na última década.
A realização do filme foi precedida por uma pesquisa de três anos, onde a diretora buscou testemunhos reais de mulheres sobre suas vivências. Durante o processo, Sudasassi percebeu a importância de abordar temas como maternidade e sexualidade, que muitas vezes não são discutidos abertamente. As entrevistas, realizadas durante a pandemia, proporcionaram um espaço íntimo para que as mulheres compartilhassem histórias que nunca haviam contado antes, revelando episódios de abuso e a luta por autonomia.
Sudasassi defende que a distinção entre documentário e ficção é uma categorização desnecessária, enfatizando que o mais importante é que as histórias sejam bem contadas. Para ela, “Memórias de um corpo que arde” é uma representação da experiência feminina que ressoa além das fronteiras costarriquenhas, e sua expectativa é que a nomeação ao Goya abra portas para outras cinematografias menores, encorajando o público a explorar novas narrativas.
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