Lançado na Argentina em 2016, “O absoluto”, de Daniel Guebel, chega ao Brasil com uma narrativa que remete aos grandes romances russos do século XIX. Ambientado na Rússia, a obra apresenta uma narradora de Buenos Aires que revela a história de sua família, começando por seu tataravô, Vladimir Deliuskin, um caçador de mamutes no século […]
Lançado na Argentina em 2016, “O absoluto”, de Daniel Guebel, chega ao Brasil com uma narrativa que remete aos grandes romances russos do século XIX. Ambientado na Rússia, a obra apresenta uma narradora de Buenos Aires que revela a história de sua família, começando por seu tataravô, Vladimir Deliuskin, um caçador de mamutes no século XVIII. O tradutor Lucas Lazzaretti é elogiado por sua habilidade em transmitir o tom latino que permeia o texto.
Os personagens da obra, predominantemente russos, variam entre a grandeza e a mediocridade. O trisavô, Frantisek, é um homem do subsolo, que, mesmo em sua decadência, cria um poema sinfônico aclamado em São Petersburgo. O bisavô, Andrei, compartilha nome com um personagem de “Guerra e Paz”, e também enfrenta o campo de batalha, enquanto o avô, Esaú, busca a liberdade, mas acaba preso por décadas, refletindo a ironia do destino.
A narrativa de Guebel explora a dualidade dos “gênios” da família, que oscilam entre a baixeza e a grandeza. O livro inicia com uma homenagem a dois personagens centrais, revelando a opacidade de suas figuras em uma escultura feita em cimento. Sebastián Deliuskin, pai da narradora, migra para a América do Sul no início do século XX, enquanto seu irmão, Alexander Scriabin, um compositor real, é ficcionalizado como um gêmeo que permanece na Rússia.
A obra aborda a ideia de potencialidade, simbolizada pela imagem de uma casca de ovo na capa de outras edições. A edição brasileira, publicada pela Editora 7Letras, contém 384 páginas e está disponível por R$ 117. Apesar de sua riqueza temática, a revisão do texto poderia ser mais cuidadosa, conforme apontado por críticos.
Entre na conversa da comunidade