Na década de 1970, quatro artistas de East Los Angeles se uniram para uma exposição com um conceito provocativo: mostrar suas piores obras. Essa iniciativa gerou asco (nausea em espanhol) e deu origem ao coletivo ASCO, que se tornou um dos grupos artísticos mais ousados do final do século XX. Essa história é uma das […]
Na década de 1970, quatro artistas de East Los Angeles se uniram para uma exposição com um conceito provocativo: mostrar suas piores obras. Essa iniciativa gerou asco (nausea em espanhol) e deu origem ao coletivo ASCO, que se tornou um dos grupos artísticos mais ousados do final do século XX. Essa história é uma das várias que cercam o grupo, agora tema do documentário ASCO: Without Permission, que estreou recentemente no festival SXSW. O filme explora como, entre 1972 e 1987, Harry Gamboa, Jr., Gronk, Willie Herrón III e Patssi Valdez, junto a outros colaboradores, desafiaram os limites da arte, criando procissões e murais que mudaram para sempre a cena artística de Los Angeles.
O documentário também destaca a resposta de Gamboa a um curador do LACMA, que afirmou que “Chicanos não fazem arte”. Em retaliação, Gamboa e seus colegas grafitaram o museu, resultando na famosa obra Spray Paint LACMA (1972). Este ato se tornou um símbolo da luta por representação e inclusão no mundo da arte. O filme contextualiza ASCO dentro do movimento Chicano, que lutava por melhores condições educacionais e contra a guerra do Vietnã, destacando momentos de protesto como as East L.A. Walkouts de 1968.
ASCO também inovou com suas “No Movies”, performances que exploravam a representação de latinos no cinema, criando narrativas que desafiavam estereótipos. O filme inclui curtas-metragens que homenageiam essas performances, embora a experimentação nem sempre funcione. A obra de ASCO, influenciada por Hollywood, levanta questões sobre o que poderiam ter alcançado se tivessem os recursos para produzir um filme de grande orçamento.
Por fim, o documentário aborda a divisão entre os membros do grupo, que seguiu seus próprios caminhos após a dissolução do coletivo em 1987. A complexidade das contribuições individuais e a falta de consenso sobre a autoria das obras refletem a dificuldade em capturar a essência de ASCO. Apesar das controvérsias, o legado do grupo permanece relevante, com suas imagens dos anos 1970 ainda ressoando na atualidade, em um momento em que o passado e o presente parecem interligados.
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