O roteiro audiovisual é fundamental para a construção de histórias, servindo como base técnica e artística que orienta a produção. Ele é desenvolvido a partir de uma ideia, pesquisa sobre o universo e personagens, e passa por diversas revisões e colaborações entre roteiristas, diretores e produtores. O processo pode ser longo, como demonstrado pelo filme […]
O roteiro audiovisual é fundamental para a construção de histórias, servindo como base técnica e artística que orienta a produção. Ele é desenvolvido a partir de uma ideia, pesquisa sobre o universo e personagens, e passa por diversas revisões e colaborações entre roteiristas, diretores e produtores. O processo pode ser longo, como demonstrado pelo filme “Ainda estou aqui”, que levou sete anos para ser finalizado, com contribuições de Walter Salles e Murilo Hauser, entre outros.
Nos últimos anos, os investimentos públicos no setor audiovisual brasileiro têm priorizado a produção em detrimento do desenvolvimento de roteiros. O Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) não oferece linhas de financiamento para desenvolvimento desde 2018, com apenas 6% dos recursos destinados a essa fase entre 2014 e 2018. Em contraste, a produção recebeu 63% da verba. O programa Creative Europe, da União Europeia, alocou 15% de seus recursos para desenvolvimento em 2022, evidenciando a diferença nas abordagens.
Em 2023, apenas 13% dos 3.200 projetos de produção que solicitaram financiamento ao FSA foram aprovados. O diretor-presidente da Agência Nacional de Cinema, Alex Braga, questionou a lógica de investir mais em desenvolvimento, enfatizando a importância de fortalecer essa etapa. Para 2025, a agência decidiu não realizar editais para desenvolvimento, deixando essa responsabilidade para estados e municípios, citando resistência do Tribunal de Contas da União.
A necessidade de investimento em desenvolvimento é urgente, conforme ressaltado por Salles ao receber o prêmio de roteiro em Veneza, afirmando que “o roteiro é sua argamassa”. Para melhorar a qualidade das produções brasileiras, é essencial que a Ancine busque apoio para financiar núcleos criativos, como o que deu origem a “Ainda estou aqui”, promovendo histórias mais robustas e economizando recursos.
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