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Beijing condena vitória do Dalai Lama no Grammy como manipulação anti-China

China vê o prêmio como manobra política anti-China e alerta para possível impacto nas relações diplomáticas e culturais com o Tibete

Meditations: The Reflections of His Holiness the Dalai Lama features recordings of him speaking on peace, compassion and mindfulness set to Indian classical music.
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  • Beijing classificou a vitória do Dalai Lama no Grammy como “manipulação política anti-China” e disse que é uma oposição de arte usada para fins políticos.
  • O Dalai Lama, que vive no exílio na Índia, ganhou o prêmio na categoria narração e storytelling pelo audiobook Meditations: The Reflections of His Holiness the Dalai Lama.
  • O artista recebeu o prêmio em Los Angeles, com a participação de Maggie Rogers e Rufus Wainwright, este último aceitando em nome do Dalai Lama.
  • O líder espiritual tibetano é visto pela China como rebelde e separatista, e a sua nomeação é motivo de forte discordância entre as partes.
  • O Dalai Lama afirmou, após a premiação, que o reconhecimento é de responsabilidade universal e não apenas pessoal.

O Dalai Lama venceu seu primeiro Grammy, na categoria narração e storytelling, por Meditations: The Reflections of His Holiness the Dalai Lama. O prêmio foi anunciado durante a cerimônia em Los Angeles, no último fim de semana, com o líder budista recebendo o reconhecimento pela obra em áudio com música indiana.

O Dalai Lama, de 90 anos, vive no exílio em Dharamsala, na Índia. A obra combina falas dele sobre paz, compaixão e mindfulness com música clássica indiana, tendo participação de artistas como Maggie Rogers e Rufus Wainwright, que aceitaram o prêmio em nome do Dalai Lama.

Em comunicado após a cerimônia, o líder expressou gratidão e humildade, ressaltando que a homenagem não seria apenas dele, mas uma referência à responsabilidade coletiva da humanidade. A obra foi apresentada com influência da música de Amjad Ali Khan e seus filhos.

Beijing reagiu de forma veemente. O governo chinês classificou o prêmio como manobra política contra a China e reiterou oposição a qualquer uso de prêmios artísticos para esse fim. O porta-voz Lin Jian confirmou a posição durante entrevista coletiva.

O Dalai Lama é a figura mais venerada do budismo tibetano e atua como defensor dos direitos dos tibetanos desde a ocupação da região pela China. A tibetologia tradicional o reconhece como a 14ª reencarnação de uma liderança espiritual.

O histórico de fuga ocorreu em 1959, quando o Dalai Lama deixou Lhasa com 23 anos. Desde então, ele vive em Dharamsala e lidera uma comunidade tibetana exilada, mantendo mensagens de paz, não-violência e cooperação humana.

A cerimônia contou com a participação de artistas que subiram ao palco para receber o prêmio em nome do Dalai Lama, destacando a dimensão internacional da obra e sua recepção no cenário musical mundial.

Ao longo dos anos, o Dalai Lama tem enfrentado tensões com a China, que busca influenciar a instituição do líder espiritual. A gestão de sucessão tibetana permanece tema sensível entre as partes, segundo relatos.

– AFP

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