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Maestro do Pajeú se destaca em projeto de música regional

Centenário de Moacir Santos reacende reconhecimento do maestro pernambucano, cuja obra influenciou trilhas de cinema e jazz, mas ainda carece de maior divulgação

Lembranças. A reedição de sua biografia e o álbum Now I Know, do João Marcondes Septeto, são duas das iniciativas ligadas à efeméride – Imagem: Epitácio Pessoa/Estadão Conteúdo
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  • Moacir Santos nasceu em 26 de julho de 1926, no Sertão do Pajeú, em Pernambuco, e celebra este ano o seu centenário.
  • Órfão de pai e mãe na infância, foi adotado e já integrava banda municipal antes dos dez anos; aos 15 partiu para o Recife e percorreu o Brasil, incluindo Salvador.
  • Em 1948 ingressou na orquestra da Rádio Nacional, no Rio de Janeiro, e ficou conhecido como um dos destaques da música instrumental brasileira; produziu trilhas para filmes e ensinou grandes nomes.
  • Entre seus álbuns, destacam-se Coisas (1965), com a faixa Nanã, além de trilhas para filmes como Os Fuzis (1964) e Seara Vermelha (1963); viveu quase quarenta anos nos Estados Unidos, onde lançou The Maestro (1972) e outros títulos.
  • A efeméride reúne releituras de sua obra, como o álbum Now I Know (João Marcondes Septeto) e ações do Sesc Instrumental Brasil, enquanto sua biografia é reeditada e sua influência é ressaltada por músicos e historiadores.

Moacir Santos, maestro, arranjador e multi-instrumentista, completou 100 anos em 2026. Nascido em 26 de julho de 1926, no Sertão do Pajeú, Pernambuco, ele é lembrado pela trajetória singular da música brasileira.

Órfão ainda criança, Moacir foi adotado por uma família local. Aos 15 anos deixou a casa para seguir a música, passando por Recife, Salvador e depois retornando a Pernambuco, antes de ganhar espaço em bandas de sopro e filarmônicas.

Na vida profissional, ele ganhou notoriedade como saxofonista negro no Nordeste, atuou em João Pessoa e ingressou na Rádio Nacional, no Rio, aos 22 anos. A biografia Moacir Santos ou os Caminhos de Um Músico Brasileiro, de Andrea Ernest Dias, será relançada em 2024 para celebrar o centenário.

Trajetória

Filho da cultura popular pernambucana, Moacir estudou na Unicamp e tornou-se referência em arranjos e instrumentos como trombone. Foi professor de nomes como Nara Leão, Sérgio Mendes, Carlos Lyra, João Donato e Baden Powell.

Entre 1963 e 1965, lançou Coisas, considerado um dos principais álbuns instrumentais brasileiros. Trilhas sonoras para os filmes Os Fuzis e Seara Vermelha destacam seu rigor técnico e a fusão de tradições afro-brasileiras com o jazz.

Nos Estados Unidos, mudou-se em 1967 com a família. Produziu trilhas para filmes de Zygmunt Sulistrowski e lançou The Maestro (1972), além de álbuns como Saudade (1974) e Carnival of the Spirits (1975. Embora com menos reconhecimento no Brasil, consolidou um legado internacional.

Legado

A repercussão de Ouro Negro (2001) ajudou a aproximar Moacir Santos do público brasileiro, com reedições e apresentações nacionais. O disco contou com Milton Nascimento, Joyce e Gilberto Gil, entre outros, e rendeu novas obras como Choros e Alegria (2005).

Eventos ligados ao centenário incluem o álbum Now I Know, da João Marcondes Septeto, dedicado às composições do maestro, e ações do Sesc Instrumental Brasil, com apresentações em São Paulo em março. A agenda visa resgatar seu alcance histórico.

A percepção de pesquisadores e músicos cita a originalidade de Moacir, que integrou ritmos afro-brasileiros a uma linguagem técnica sofisticada. A projeção internacional contribuiu para manter viva a memória de sua obra instrumental.

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