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Livro revela o samba da Praça Onze, parte da Pequena África no Rio

Livro analisa a Praça Onze como berço do samba e da Pequena África, destacando João da Baiana e o legado que persiste

A antiga Praça Onze, no Rio – foto: acervo da Fundação Biblioteca Nacional
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  • O livro Quando Vem da Alma de Nossa Gente – Sambas da Praça Onze, de Beatriz Coelho Silva (editora Garota FM Books, 2025), analisa o bairro Praça Onze a partir do samba, incluindo 14 músicas e três de João da Baiana.
  • A Praça Onze fica onde hoje está o Sambódromo da Marquês de Sapucaí; o bairro foi demolido em 1942 durante a reurbanização do centro do Rio.
  • A obra relaciona a praça ao samba e à história da Pequena África, região central onde a cultura negra teve forte presença.
  • O livro divide os sambas ligados à praça em três momentos: anos 1930, época da demolição e período pós‑1950, com tom de nostalgia em boa parte das composições.
  • Destaques incluem Tempos Idos (Cartola e Carlos Cachaça) e o samba‑enredo Bumbum Paticumbum Prugurundum (Beto Sem Braço e Aluísio Machado), além de dedicar capítulo a João da Baiana, figura central do samba urbano.

O livro Quando Vem da Alma de Nossa Gente – Sambas da Praça Onze analisa o espaço que hoje abriga o Sambódromo da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, pela lente do samba. A publicação chega em 2025, com 224 páginas, pela Garota FM Books, e traça a história do bairro Praça Onze a partir da música local. O estudo também conecta a região à antiga Pequena África, marcada pela presença negra e imigrante.

A obra apresenta o bairro como cenário de surgimento do samba e de encontros entre músicos, produtores e cantores da época. Entre as referências estão nomes que gravaram na jovem indústria fonográfica brasileira e o icônico carnaval dos pobres, que reunia dezenas de milhares de pessoas. A demolição do bairro, em 1942, é tratada como desdobramento histórico, sem apagar a memória musical.

Beatriz Coelho Silva organiza o conteúdo em três eixos: composições dos anos 1930, fatos ligados ao processo de demolição e produções posteriores, a partir de 1950. O livro analisa 14 sambas ligados ao local, incluindo obras de João da Baiana, figura central da pesquisa e do samba urbano, que ganha capítulo próprio pela importância histórica.

João da Baiana e o espírito da Praça Onze

João da Baiana, nascido e criado no bairro, é apresentado como o porta-voz do samba de raiz. Cantor, compositor e percussionista, foi pioneiro na expressão da ancestralidade dentro do gênero. O volume descreve a trajetória do artista e destaca a relação dele com a memória do lugar.

Entre as composições de João da Baiana exploradas no livro, a obra ressalta a influência do morador célebre na construção do samba carioca. A leitura contextualiza o artista dentro do cenário cultural da Praça Onze e da história do carnaval da cidade. O livro, divulgado no meio de 2024, continua sendo referência para compreender a relação entre samba, cidade e memória coletiva.

A pesquisa de Beatriz Coelho Silva oferece uma leitura cuidadosa sobre o papel da Praça Onze na formação do samba e do carnaval. O texto destaca a permanência do encontro entre comunidades negras e imigrantes, mesmo após a demolição do bairro. As análises ajudam a entender como o samba preserva a memória do espaço.

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