- Em 2025, foram lançados 203 longa-metragens brasileiros nos cinemas, com apenas quarenta recebendo mais de dez mil ingressos.
- Na 29ª Mostra de Tiradentes, 1,5 mil curtas brasileiros foram inscritos; a Mostra selecionou cerca de 10% desse total.
- A Ancine informou que, em 2025, foram investidos 1,41 bilhão de reais em recursos, o maior volume da série histórica, com 1,5 mil projetos em execução.
- A participação do cinema nacional ficou em 10,3% do público, impulsionada por Ainda Estou Aqui e O Auto da Compadecida 2, que ficaram em cartaz no fim de 2024.
- O Fórum ressaltou a necessidade de ampliar o público brasileiro, investir em comunicação contínua sobre o cinema nacional e incorporar o streaming à política pública de fomento.
Em 2025, 203 longas-metragens brasileiros estrearam nos cinemas. Desse total, apenas 40 atingiram mais de 10 mil ingressos vendidos. A informação consta de levantamento divulgado durante o 4º Fórum Tiradentes, na 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes.
Tatiana Carvalho Costa, pesquisadora e presidente da Apan, destacou que 1,5 mil curtas foram inscritos no evento. Ela ressaltou que muitos foram financiados pela Lei Paulo Gustavo, vigente em 97% dos municípios. Segundo ela, a mostra seleciona apenas uma parcela.
Essa constatação abriu o tema central de discussões ao longo de cinco dias na cidade mineira. O debate enfatizou o desalinhamento entre financiamento público e alcance de público para obras nacionais.
Participação institucional e planos para o setor
Na Carta de Tiradentes, um grupo de 70 profissionais apontou o aumento do público para cinema nacional como prioridade. O texto defende um programa contínuo de comunicação para ampliar o reconhecimento da produção brasileira como diversa.
A ideia é despertar o interesse de plateias adultas, infantis e juvenis, ampliando a demanda por obras nacionais. A proposta sustenta investimentos em estratégias de divulgação e mídia para cinema brasileiro.
Dados da Ancine e impactos de mercado
Durante o mesmo período, a Ancine divulgou relatório de gestão: em 2025 foram investidos 1,41 bilhão de reais em recursos, o maior volume na série histórica. Há atualmente 1,5 mil projetos em execução pela agência.
Ontem, o cinema brasileiro representou 5,2% do total de ingressos, com participação de 10,3% no mercado. As duas estreias de 2024, Ainda Estou Aqui e O Auto da Compadecida 2, contribuíram para esse resultado.
Observações sobre o cenário de produção
Entre 2021 e 2023, o market share oscilou entre 1,4% e 3,3%, período sem a Cota de Tela. O volume de obras financiadas segue abaixo do desejado, com apenas 40 de 203 estreias acima de 10 mil espectadores.
Para entender o panorama, é relevante observar que há longas em lançamento técnico, usados para cumprir exigências de financiamento público. Alguns títulos tiveram público muito pequeno ou sequer estrearam.
Debate sobre acesso e distribuição
O festival destacou a necessidade de contabilizar público de festivais e de espaços independentes, além de discutir a inclusão do streaming na política pública. A meta é ampliar a difusão de obras brasileiras para o público em geral.
Francis Vogner dos Reis, curador, mencionou que quase 300 longas foram inscritos neste ano. Ele ponderou que muitos filmes não escolhidos não chegam a ver a luz, mesmo com apoio público.
Perspectivas sobre internacionalização
Na mesa sobre internacionalização, Rodrigo Teixeira, produtor de Ainda Estou Aqui, afirmou que filmes autorais de peso podem conquistar reconhecimento, mas não garantem continuidade de presença no Oscar. O debate reforçou a importância de políticas estáveis para o setor.
Teixeira lembrou que, após momentos internacionais de sucesso em 2019, houve mudanças políticas que impactaram o cinema nacional. Segundo ele, a recuperação depende de políticas públicas consistentes ao longo dos próximos anos.
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