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Exposição em Veneza exibe filmes site-specific sobre tempos hiperestimulantes

Exposição Canicula discute hiperstimulação sensorial e saturação de imagens em tempos de conflito, apresentando obras sobre guerra, memória e ruína

A production still from Janis Rafa's Sacrificial Transgressions (working title) (2026)
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  • Canicula, terceira e última mostra da Trilogia das Incertezas, abre em seis de maio no Complesso dell’Ospedaletto, em Veneza, com oito novos filmes site-specific.
  • O enredo aborda hiperestimulação dos sentidos e excesso de imagens e informações, conectando tensões políticas e sociais ao tema da saturação.
  • O projeto é realizado pela Fondazione In Between Art Film, com curadoria de Leonardo Bigazzi.
  • Destaques incluem Affirmations, de Roman Khimei e Yarema Malashchuk, um vídeo com testemunhos fictícios de soldados russos sobre a guerra na Ucrânia, e 450XL: The Story of a Fugitive Sound, de Lawrence Abu Hamdan, sobre um ataque sonoro em Belgrado.
  • Jarkov, de Maya Watanabe, analisa o derretimento acelerado do Ártico e a descoberta de um mamute de vinte mil anos, conectando temas de clima e memória histórica.

A exposição Canicula, terceira e última parte da Trilogia das Incertezas, estreia no Complesso dell’Ospedaletto em 6 de maio. O projeto reúne oito filmes site-specific de artistas convidados pela Fondazione In Between Art Film, com foco na hiperestimulação dos sentidos e em tensões sociais contemporâneas.

Sob curadoria de Leonardo Bigazzi, a mostra aborda temas políticos e sociais a partir de diferentes linguagens. Cada obra busca não representar a realidade de forma direta, mas expor condições profundas como excesso, pressão e distorção, segundo a organização.

A trilogia começou com Penumbra, em 2022, retratando a ambiguidade da luz tênue, logo após a invasão da Ucrânia. Nebula, em 2024, tratou da navegação em meio a névoa, após o ataque a Gaza de 7 de outubro. Canicula avança para uma leitura que enfatiza estímulos intensos e saturação sensorial.

Conteúdo e protagonistas

Entre os trabalhos, o duo romanKhimei e Yarema Malashchuk apresenta Affermations, instalação multicanal com testemunhos fictícios de idosos soldados russos sobre o conflito com a Ucrânia. O artista Massimo D’Anolfi e a cineasta Martina Parenti exibem 24 Landscapes + A Vision, estudo imagético sobre mudanças climáticas e memória.

Outro eixo é a crítica acústica. Lawrence Abu Hamdan assina 450XL: The Story of a Fugitive Sound, que analisa um ataque sonoro em Belgrado em 2025 por meio de vídeos, entrevistas e documentos, contestando versões oficiais. O projeto sugere como o som pode compor relatos de violência e deslocamento.

A produção também traz Jarkov, de Maya Watanabe, que observa o degelo do Ártico e a descoberta de um mamute de 20 mil anos, trazido à tona pela elevação das temperaturas. A obra conecta o tema do gelo com o impacto humano e ambiental contemporâneo.

Sobre o contexto e a estreia

Beatrice Bulgari, designer de figurino e fundadora da instituição, afirma que a comissão de obras é um posicionamento público que oferece ferramentas para interpretar a incerteza. Em momentos de tensão geopolítica, espaços de complexidade são fundamentais, conforme a curadora.

A curadoria ressalta que as peças não visam simplificar a realidade, mas incitar reflexão sobre pressões, distorções e a capacidade de percepção humana diante de estímulos intensos. A mostra permanece aberta até 22 de novembro, com ingressos disponíveis para o público.

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