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Os 100 melhores filmes brasileiros, conforme crítica nacional

Abraccine atualiza a lista dos cem filmes brasileiros mais importantes, sem ranking, incluindo lançamentos recentes e novas vozes, refletindo mudanças no cinema nacional

Fotografia dos filmes Agente secreto, Ainda estou aqui e Marte um.
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  • A Abraccine atualizou a lista dos cem filmes mais importantes do cinema brasileiro, publicada originalmente em 2015, incluindo produções mais recentes.
  • Diferente do ranking da primeira versão, a nova seleção apresenta as obras em ordem de lançamento, começando pelos anos 1930.
  • Entre as novidades estão títulos como Ainda Estou Aqui (2024) e O Agente Secreto (2025), que disputaram o Oscar, além de obras contemporâneas como Marte Um (2022) e As Boas Maneiras (2017).
  • A revisão amplia a presença de filmes dirigidos por mulheres, por pessoas negras e de cineastas fora do eixo Rio-São Paulo, além de incluir títulos de diferentes fases do cinema brasileiro.
  • Como parte das celebrações de quinze anos da Abrinence, a entidade prepara um livro sobre os cem filmes escolhidos e mantém a lista sem rankeamento, apenas por ordem de lançamento.

A Abraccine revisou a lista dos 100 filmes brasileiros mais importantes, atualizando-a para incluir produções lançadas nos anos recentes. A nova seleção não mantém o formato de ranking e passa a apresentar as obras em ordem de lançamento, desde os anos 1930 até 2025. A mudança acompanha quase um século de produção nacional.

A atualização ocorreu pouco mais de dez anos após a primeira versão, publicada em 2015. O objetivo é refletir mudanças no cinema brasileiro e no debate crítico ao longo da última década, incluindo títulos recentes e obras de diferentes narrativas e protagonistas.

Entre as novidades estão Ainda Estou Aqui (2024), de Walter Salles, e O Agente Secreto (2025), de Kleber Mendonça Filho, que tiveram reconhecimento em premiações internacionais. O conjunto também traz filmes contemporâneos como Marte Um (2022) e As Boas Maneiras (2017).

Mudanças na metodologia

A Abraccine abandonou o formato de ranking tradicional. Em vez disso, organizou a lista pela data de lançamento, permitindo observar a evolução do cinema nacional ao longo do tempo. A nova leitura destaca fases distintas, desde o cinema de estúdio dos anos 1950 até a retomada contemporânea.

A escolha privilegia diversidade de vozes, incluindo filmes dirigidos por mulheres, negras e cineastas de fora do eixo Rio-São Paulo. O presidente da Abraccine, Orlando Margarido, aponta que a revisão reflete mudanças na associação e no debate sobre o cinema brasileiro nos últimos anos.

A mudança é descrita como relevante para a compreensão da história do cinema nacional, segundo declarações à imprensa. O novo formato também visa ampliar o acesso e a leitura crítica das obras pelos espectadores.

Destaques e contextos

A seleção inclui títulos célebres como Vidas Secas (1963), Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) e Central do Brasil (1998). Também constam obras populares como O Auto da Compadecida (2000). A curadoria apresenta trabalhos de diferentes épocas e estilos.

A ampliação de espaço para obras recentes é perceptível com a inclusão de Amor Maldito (1984), dirigido por Adélia Sampaio, reconhecido como marco na direção de uma mulher negra. A crítica ganhou novas leituras e mostras associadas a esse acervo.

A Abrince, em celebração aos 15 anos de atuação, planeja lançar um livro sobre os cem filmes escolhidos, com previsão de lançamento pela editora Letramento ainda neste ano. A publicação deverá apresentar análises e contextualizações das obras.

Lista completa (ordem de lançamento)

1. Limite (1931), Mário Peixoto

2. Ganga Bruta (1933), Humberto Mauro

3. O Ébrio (1946), Gilda de Abreu

4. Também Somos Irmãos (1949), José Carlos Burle

5. Carnaval Atlântida (1952), José Carlos Burle

6. O Cangaceiro (1953), Lima Barreto

7. Rio, 40 Graus (1955), Nelson Pereira dos Santos

8. Rio, Zona Norte (1957), Nelson Pereira dos Santos

9. O Grande Momento (1958), Roberto Santos

10. O Homem do Sputnik (1959), Carlos Manga

11. Aruanda (1960), Linduarte Noronha

12. O Assalto ao Trem Pagador (1962), Roberto Farias

13. O Pagador de Promessas (1962), Anselmo Duarte

14. Os Cafajestes (1962), Ruy Guerra

15. Porto das Caixas (1962), Paulo Cezar Saraceni

16. Vidas Secas (1963), Nelson Pereira dos Santos

17. À Meia Noite Levarei Sua Alma (1964), José Mojica Marins

18. A Velha a Fiar (1964), Humberto Mauro

19. Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), Glauber Rocha

20. Noite Vazia (1964), Walter Hugo Khouri

21. Os Fuzis (1964), Ruy Guerra

22. A Falecida (1965), Leon Hirszman

23. A Hora e Vez de Augusto Matraga (1965), Roberto Santos

24. São Paulo Sociedade Anônima (1965), Luiz Sergio Person

25. A Entrevista (1966), Helena Solberg

26. O Padre e a Moça (1966), Joaquim Pedro de Andrade

27. Todas as Mulheres do Mundo (1966), Domingos de Oliveira

28. A Margem (1967), Ozualdo Candeias

29. Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver (1967), José Mojica Marins

30. O Caso dos Irmãos Naves (1967), Luiz Sergio Person

31. O Menino e o Vento (1967), Carlos Hugo Christensen

32. Terra em Transe (1967), Glauber Rocha

33. O Bandido da Luz Vermelha (1968), Rogério Sganzerla

34. A Mulher de Todos (1969), Rogério Sganzerla

35. Macunaíma (1969), Joaquim Pedro de Andrade

36. Matou a Família e Foi ao Cinema (1969), Julio Bressane

37. O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (1969), Glauber Rocha

38. O Despertar da Besta (Ritual dos Sádicos) (1970), José Mojica Marins

39. Sem Essa, Aranha (1970), Rogério Sganzerla

40. Um É Pouco, Dois É Bom (1970), Odilon Lopez

41. Bang Bang (1971), Andrea Tonacci

42. S. Bernardo (1972), Leon Hirszman

43. Toda Nudez Será Castigada (1972), Arnaldo Jabor

44. Alma no Olho (1973), Zózimo Bulbul

45. Compasso de Espera (1973), Antunes Filho

46. Os Homens Que Eu Tive (1973), Tereza Trautman

47. A Rainha Diaba (1974), Antonio Carlos da Fontoura

48. Iracema, Uma Transa Amazônica (1975), Jorge Bodanzky e Orlando Senna

49. Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), Bruno Barreto

50. Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia (1977), Hector Babenco

51. Mar de Rosas (1977), Ana Carolina

52. A Lira do Delírio (1978), Walter Lima Jr.

53. Tudo Bem (1978), Arnaldo Jabor

54. A Mulher Que Inventou o Amor (1980), Jean Garrett

55. Bye Bye Brasil (1980), Carlos Diegues

56. O Homem Que Virou Suco (1980), João Batista de Andrade

57. Pixote, a Lei do Mais Fraco (1980), Hector Babenco

58. Eles Não Usam Black-Tie (1981), Leon Hirszman

59. Os Saltimbancos Trapalhões (1981), J.B. Tanko

60. Das Tripas Coração (1982), Ana Carolina

61. Pra Frente Brasil (1982), Roberto Farias

62. Onda Nova (1983), Ícaro Martins e José Antonio Garcia

63. Amor Maldito (1984), Adélia Sampaio

64. Cabra Marcado para Morrer (1984), Eduardo Coutinho

65. Memórias do Cárcere (1984), Nelson Pereira dos Santos

66. A Hora da Estrela (1985), Suzana Amaral

67. A Marvada Carne (1985), André Klotzel

68. Filme Demência (1986), Carlos Reichenbach

69. Ilha das Flores (1989), Jorge Furtado

70. Que Bom Te Ver Viva (1989), Lúcia Murat

71. Superoutro (1989), Edgard Navarro

72. Alma Corsária (1993), Carlos Reichenbach

73. Carlota Joaquina, Princesa do Brasil (1995), Carla Camurati

74. Terra Estrangeira (1995), Daniela Thomas e Walter Salles

75. Baile Perfumado (1996), Lírio Ferreira e Paulo Caldas

76. Central do Brasil (1998), Walter Salles

77. O Auto da Compadecida (2000), Guel Arraes

78. Bicho de Sete Cabeças (2001), Laís Bodanzky

79. Lavoura Arcaica (2001), Luiz Fernando Carvalho

80. Cidade de Deus (2002), Fernando Meirelles e Kátia Lund

81. Edifício Master (2002), Eduardo Coutinho

82. Madame Satã (2002), Karim Aïnouz

83. Cinema, Aspirinas e Urubus (2005), Marcelo Gomes

84. O Céu de Suely (2006), Karim Aïnouz

85. Serras da Desordem (2006), Andrea Tonacci

86. Jogo de Cena (2007), Eduardo Coutinho

87. Saneamento Básico, o Filme (2007), Jorge Furtado

88. Santiago (2007), João Moreira Salles

89. Trabalhar Cansa (2011), Juliana Rojas e Marco Dutra

90. O Som ao Redor (2012), Kleber Mendonça Filho

91. O Menino e o Mundo (2013), Alê Abreu

92. Branco Sai, Preto Fica (2014), Adirley Queirós

93. Que Horas Ela Volta? (2015), Anna Muylaert

94. Aquarius (2016), Kleber Mendonça Filho

95. Arábia (2017), Affonso Uchoa e João Dumans

96. As Boas Maneiras (2017), Juliana Rojas e Marco Dutra

97. Marte Um (2022), Gabriel Martins

98. Mato Seco em Chamas (2022), Adirley Queirós e Joana Pimenta

99. Ainda Estou Aqui (2024), Walter Salles

100. O Agente Secreto (2025), Kleber Mendonça Filho

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