- Após o Brexit, artistas britânicos enfrentam regras de visto restritivas e muita burocracia, dificultando trabalhar na UE.
- Diretores de casting dizem que empregos em publicidade e TV no continente diminuíram e alguns projetos são montados com equipes de Espanha ou de outros países da UE.
- As exportações de artes performativas para a UE caíram de £ 1,15 bilhão, em 2016, para £ 929 milhões em 2023, enquanto exports para fora da UE subiram 18%.
- Custos e regras incluem impostos sobre custos de acomodação, taxas de seguridade social no país de atuação e documentos que podem levar meses para serem processados.
- O impacto atinge principalmente trabalhadores jovens e de classes mais humildes, com relatos de empresas sugerindo que artistas entrem com vistos inadequados; há pedidos para verificar cidadania dupla e riscos de sanções.
O Brexit elevou barreiras administrativas e financeiras que reduzem as oportunidades de atores britânicos em trabalhos na União Europeia. Reduções de oportunidades, alongamento de processos de visto e custos adicionais estariam deslocando a demanda para talentos da UE. A mudança afeta cinema, TV, teatro, turismo de entretenimento e publicidade.
Entre 2016 e 2023, as Exportações de artes cênicas para a UE caíram de 1,15 bilhão de libras para 929 milhões de libras. Já as exportações para países não pertencentes à UE cresceram 18% no mesmo período, atingindo 1,87 bilhão de libras. O recuo na exportação para o mercado europeu é considerado significativo para a indústria criativa britânica.
Desafios práticos incluem regras de visto que restringem a apenas 90 dias de trabalho em 180 dias, além de burocracia aduaneira, impostos e documentos que variam entre países. A Equity, sindicato dos trabalhadores, aponta exemplos de tributação de custos de hospedagem como benefício em espécie, reduzindo o salário líquido.
A Spotlight, guia de casting, afirma que trabalhos em anúncios televisivos tornaram-se quase inacessíveis a profissionais britânicos. A organização também relata que equipes de produção costumavam ter grande parte da equipe no Reino Unido, mas hoje as campanhas são dispersas pela UE.
A transição tem sido particularmente dura para atores em início de carreira e trabalhadores de classes sociais mais baixas, que antes encontravam contratos de verão, em parques temáticos, cruzeiros e turnês. Empresas de casting passaram a incentivar a dupla cidadania e a explorar profissionais com passaportes europeus.
Impacto nas oportunidades e nos custos
Profissionais britânicos enfrentam custos com vistos, comissões, deslocamentos e prazos de filmagem mais curtos, o que dificulta auditionar no varejo de empregos da UE. Em alguns casos, trabalhadores são pressionados a atuar sem visto adequado, ou a declarar férias para justificar a atividade remunerada.
Quem está envolvido
Spotlight atua como referência de casting, a Equity representa trabalhadores, e o National Theatre tem histórico de redução de atividades europeias. Empresas de produção e agências de talentos cobrem as mudanças com ajustes contratuais, novas exigências de documentação e estratégias de recrutamento.
Perspectivas para o setor
Especialistas destacam que, apesar de alguns talentos britânicos ainda obterem oportunidades com status de celebridade, a maior parte de cargos de base tem sido redirecionada para profissionais de países da UE. A indústria convoca políticas públicas que facilitem viagens de trabalho, mantendo a diversidade de talentos no mercado europeu.
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