Álvaro González e sua esposa, Patricia Uribe, criaram o projeto Fortulee na região de Arauca, na Colômbia, que é afetada por conflitos armados. O projeto promove a leitura entre crianças para oferecer alternativas ao recrutamento por grupos armados. Álvaro, um comunicador social de 65 anos, e Patricia, uma psicóloga de 61, têm trabalhado na região por 15 anos, visitando cerca de 200 comunidades. Eles acreditam que a leitura pode ajudar as crianças a não repetirem as histórias de dor que as cercam. Fortulee realiza atividades literárias, mas enfrenta desafios como a falta de livros e o pouco hábito de leitura nas escolas. Apesar das dificuldades, eles conseguem impactar a vida de muitos jovens, como Danna e Inocencio, que encontraram na literatura um caminho para um futuro melhor. O projeto, que completou 16 anos, depende muito do trabalho voluntário do casal e enfrenta incertezas sobre seu futuro.
Álvaro González e Patricia Uribe, um casal colombiano, fundaram o projeto Fortulee, que visa promover a leitura em comunidades afetadas pela violência na região de Arauca. O projeto, que atua há 15 anos, busca oferecer alternativas ao recrutamento de crianças por grupos armados, como o ELN e as disidências das FARC.
Com um carro identificado com a palavra Fortulee, o casal percorre as áreas mais afetadas, levando livros e promovendo atividades literárias. Em sua trajetória, já visitaram cerca de duzentas veredas. Álvaro, um comunicador social de 65 anos, e Patricia, psicóloga de 61, acreditam que a leitura pode transformar vidas e ajudar as crianças a sonhar com um futuro diferente.
A região de Arauca é marcada por conflitos armados, sendo considerada um bastião do ELN. A violência e a instabilidade social dificultam o acesso à educação e à cultura. Fortulee se destaca como uma luz de esperança, oferecendo aos jovens a oportunidade de se afastarem do ciclo de violência. Patricia destaca que o objetivo é formar “excelentes seres humanos e depois grandes leitores”, sem qualquer tipo de adoctrinação.
Impacto nas Comunidades
As visitas do projeto geram grande expectativa nas comunidades. Crianças, algumas com histórias de perdas e deslocamentos, se mostram ansiosas para participar das atividades. A falta de recursos e de um hábito de leitura nas escolas limita o alcance do projeto, que realiza apenas três visitas anuais em cada vereda. Apesar das dificuldades, a equipe de Fortulee se dedica a ouvir e apoiar as crianças, ajudando-as a perceber que não estão sozinhas.
O projeto também tem um impacto significativo na prevenção do recrutamento por grupos armados. Álvaro recorda que um comandante do ELN, em tom de brincadeira, comentou que a leitura estava “tirando os jovens” do caminho da guerra. Ele afirma que, ao invés de dizer às crianças para não se juntarem aos grupos armados, “oferecemos outra opção”.
Futuro do Fortulee
Comemorar 16 anos de Fortulee é motivo de alegria, mas também de preocupação. O casal enfrenta desafios financeiros, com setenta por cento do trabalho sendo voluntário. Eles acreditam que, se houvesse um programa de leitura semanal em cada vereda, muitos problemas poderiam ser resolvidos. Além das atividades nas veredas, Fortulee realiza uma tertúlia literária semanal em Fortul, onde mais de cem jovens se reúnem para ler e discutir.
Histórias de sucesso, como a de Danna e Inocencio, mostram o poder transformador da leitura. Danna, que sonha em estudar psicologia, e Inocencio, que se tornou professor na Alemanha, são exemplos de como o projeto pode mudar vidas. Ambos reconhecem que a literatura abriu portas para novas realidades e oportunidades.
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