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Cenário de abandono: idosos e migrantes enfrentam a pobreza em pagadiários de Bogotá

Censo revela que 4.500 pessoas vivem em pagadiarios em Bogotá, refletindo a crescente crise de pobreza e exclusão social na cidade.

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Deiro González, um homem de 74 anos, vive em um pagadiario em Bogotá, onde já presenciou a morte de quatro pessoas ao longo de duas décadas. Ele não tem família, trabalho ou pensão, e sobrevive em um quarto que aluga por cerca de 5 dólares por noite. O censo recente revelou que cerca de 4.500 pessoas vivem em pagadiarios no centro da cidade, refletindo a pobreza extrema e a exclusão social. Muitos desses moradores são migrantes e enfrentam a incerteza financeira diariamente. José Ramírez, que administra um desses locais, testemunha diversas situações difíceis, incluindo brigas e mortes. A maioria dos ocupantes são migrantes, como Nayluz Millán, que vive com sua família em um quarto pequeno e está grata por ter um teto. Carolina Rojas, outra migrante, luta para sustentar seus filhos sozinha após a partida do marido. Os pagadiarios variam em tipo de população, incluindo idosos, migrantes e pessoas que consomem drogas. Omar Moreno, que vive em um pagadiario há 12 anos, fala sobre o uso de drogas entre os moradores, que é um problema comum. A situação nos pagadiarios de Bogotá é complexa e reflete a luta diária de pessoas em busca de sobrevivência.

A situação de pobreza e exclusão social em Bogotá é alarmante. Um censo recente revelou que cerca de 4.500 pessoas vivem em pagadiarios, habitações temporárias de baixo custo, no centro da cidade. O aumento de migrantes e a diversidade de perfis entre os ocupantes refletem a complexidade da crise social.

Deiro González, um morador de 74 anos, compartilha sua experiência em um pagadiario há duas décadas. Ele testemunhou a morte de quatro homens em sua mesma habitação, ressaltando a sensação de abandono. “Os mortos são recolhidos pela polícia e nada mais acontece”, afirma. Sem trabalho ou família, ele luta diariamente para sobreviver.

Segundo a Secretaria Distrital de Integração Social, os pagadiarios representam formas extremas de pobreza. A maioria dos ocupantes já foi habitante de rua e vive à beira da vulnerabilidade. O censo, iniciado no final do ano passado, busca reconhecer essas pessoas como cidadãos. “Reconhecer o outro é o primeiro passo para a inclusão”, afirma Roberto Ángulo, secretário de Integração Social de Bogotá.

O censo também revelou que mais de 43% dos moradores desses locais são migrantes, muitos em busca de estabilidade financeira. José Ramírez, administrador de um pagadiario, relata que a situação é difícil. “Aqui se vê de tudo, mas as mortes ainda me surpreendem”, diz. O aluguel varia entre R$ 8 e R$ 60 por dia, dependendo da localização e das condições do imóvel.

Em um pagadiario próximo, Nayluz Millán, uma migrante venezuelana, vive com sua família. “Aqui me ajudam muito e posso pagar”, comenta. Carolina Rojas, outra migrante, enfrenta dificuldades financeiras após a separação do marido. Ela não recebe apoio do governo devido à sua situação irregular.

Estima-se que existam 430 pagadiarios no centro de Bogotá, com um total de 6.500 na capital. Esses locais abrigam diferentes perfis, incluindo idosos, migrantes e pessoas em situação de dependência química. Omar Moreno, morador há doze anos, descreve o consumo de drogas como um flagelo. “Todos aqui sofremos com isso”, conclui.

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