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Fé, mídia e poder: itens omitidos em Apocalipse nos Trópicos

Documento foca em liderança evangélica e mídia, subestimando o papel católico e a diversidade religiosa na política brasileira

Fé, mídia e poder: o que ficou de fora em ‘Apocalipse nos Trópicos’
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  • O documentário Apocalipse nos Trópicos, de Petra Costa, está na Netflix e é acusado de estigmatizar evangélicos, além de minimizar o papel do catolicismo e da mídia na ascensão da extrema-direita.
  • Malafaia é apresentado como grande protagonista, ampliando sua influência pela mídia brasileira, com nove dos cinquenta veículos de maior audiência pertencentes a instituições religiosas.
  • O filme cita Edir Macedo e a influência do grupo Record, além da Lei 14.408/22, que legalizou o arrendamento de horários de TV e rádio; no governo Lula, Juscelino Filho tornou-se ministro das Comunicações e a lei foi mantida.
  • Há crítica ao reducionismo do fiel evangélico como base bolsonarista, e ao retrato da religiosidade como homogênea, deixando de lado a diversidade e as lutas de trabalhos precarizados, mulheres, jovens e minorias.
  • O texto também destaca participação católica no bolsonarismo, com figuras como Angela Gandra e a presença da Frente Parlamentar Evangélica, além de discutir a influência católica midiática e a Teologia da Libertação.

O documentário Apocalipse nos Trópicos, de Petra Costa, estreou na Netflix e discute o vínculo entre fé, mídia e ascensão da extrema-direita no Brasil. A obra é contada em primeira pessoa pela diretora, com foco em um líder evangélico central.

Silas Malafaia, pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, aparece como grande protagonista. O filme questiona o papel da mídia brasileira, na qual ele atua há décadas, na construção de influências políticas entre religiões e governos.

O longa aponta que o sistema de mídia, com destaque para emissoras religiosas, amplia a visibilidade de figuras como Malafaia e Edir Macedo, influentes na política e na formação de coalizões conservadoras. Também aborda leis de comunicação.

Mudanças de tema

A produção analisa o peso de redes sociais na amplificação de discursos inflamados, associando o alcance digital a estratégias políticas. Observa ainda como a participação de igrejas na política se cruza com decisões legislativas.

O filme é criticado por reduzir a diversidade evangélica a um único estereótipo e por não explorar plenamente o papel de católicos na política de direita. Discute, porém, que o bolsonarismo religioso envolve mais de uma corrente.

Contexto católico

O documentário também aborda a participação de católicos na aliança com setores de direita, incluindo figuras ligadas a instituições como a Opus Dei. A narrativa aponta vínculos entre Igreja, mídia e ações políticas.

Observa que a esquerda cristã, historicamente, também atuou no combate a políticas de direito, e que a relação entre igreja e Estado envolve negociações amplas. A discussão não se restringe a rótulos religiosos.

O texto cita pesquisas que revelam diversidade de perfis entre católicos e evangélicos nas manifestações, mostrando que nem todos seguem a mesma linha política ou de voto. A obra levanta questões sobre representatividade.

O documentário suscita debates sobre a relação entre fé, democracia e direitos, sem ignorar que o Brasil apresenta uma pluralidade de denominações e realidades sociais. Mantém o foco na influência midiática e nas dinâmicas de poder.

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