- Documentos obtidos por FOI mostram que a polícia de West Midlands disse que banir torcedores do Maccabi Tel Aviv poderia ser visto como antissemítico, além de alegar risco de distúrbios.
- O banimento, quando ocorreu para o jogo da Liga Europa contra o Aston Villa, realizado no Villa Park em 6 de novembro, provocou revolta e comentários do primeiro-ministro, Keir Starmer, que classificou a medida como errada.
- Em atas da reunião do grupo de segurança de outubro, a polícia afirmou haver “inteligência significativa” sobre possível distúrbio envolvendo torcedores do Maccabi Tel Aviv, com incidentes anteriores na Itália, Noruega e Amsterdã.
- A polícia reconheceu preocupações da torcida do Aston Villa sobre abusos antissemíticos, e manteve o risco do confronto como médio, mesmo sem torcedores visitantes, citando tensões comunitárias.
- O chefe da polícia de West Midlands foi chamado ao parlamento para depor, e houve um apelo por uma revisão independente de governança; a polícia não comentou oficialmente sobre os novos detalhes.
Oito meses após a decisão, ficou revelado que a polícia do West Midlands avaliou que banir torcedores do Maccabi Tel Aviv de pendurar no confronto com o Aston Villa poderia ser visto como antissemita, segundo documentos obtidos por meio de FOI. O jogo ocorreu em 6 de novembro no Villa Park, em Birmingham.
Segundo os registros, o grupo de segurança da prefeitura recebeu a orientação de que a proibição de torcedores visitantes poderia minar a confiança das comunidades judaicas e prejudicar a reputação das autoridades e do clube. A avaliação também mencionou preocupações entre torcedores do Aston Villa sobre incidentes de ódio.
O conteúdo dos minutos mostra que houve o reconhecimento de que as tensões comunitárias elevavam o risco de protestos, com incidentes isolados de abusos antissemíticos citados como pauta de discussão. A análise situava o risco de desordem como alto, em função de eventos anteriores envolvendo o Maccabi Tel Aviv.
A decisão de banir os torcedores visitantes foi tomada com base na justificativa de alto risco associado à presença da equipe israelense, destacando possíveis impactos negativos para a relação entre comunidades. A medida não teve objeção formal entre os participantes da reunião.
A polícia também indicou que o nível de ameaça para o duelo ficou classificado como médio, mesmo sem torcedores visitantes, devido à possibilidade de manifestações espontâneas ligadas ao contexto do confronto. A divulgação da decisão gerou críticas públicas.
Contexto da decisão
A divulgação ocorreu após o chefe da polícia ter expressado desculpas a comunidades judaicas locais, em resposta a questionamentos feitos a parlamentares sobre o apoio de parte da comunidade ao banimento. Em nota, a força afirmou que não houve intenção de sugerir apoio explícito de membros da comunidade ao veto.
O material divulgado incluiu relatos de reuniões entre a unidade de futebol da polícia do West Midlands e autoridades estrangeiras, com menções a episódios de violência em jogos anteriores envolvendo clubes israelenses. Também foram citadas informações de inteligência sobre potencial desordem vinculada ao evento.
Reações e próximos passos
Autoridades locais foram chamadas a esclarecer o caso em comissões parlamentares. A direção do conselho municipal de Birmingham informou que haverá revisão independente para melhorar a governança. A polícia do West Midlands não comentou de forma adicional sobre o assunto.
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