- Ao longo das Copas, gols ou jogadas com toque de mão de famosos exemplos de quebra de ética, como Maradona em 1986 e Henry em 2010, são lembrados.
- No Paulistão recente, Andreas Pereira abriu a marcação ao furar a bola na cobrança de pênalti, em Corinthians x Palmeiras, antes de erros.
- No Campeonato Gaúcho, Alisson Safira, atacante do Juventude, abriu mão de marcar a jogada para atender Diney, zagueiro adversário, ajudando o time a seguir à semifinal.
- Safira afirmou ter agido por caráter e disposição de ajudar o colega, repetiria a ação se necessário, mesmo com vaias.
- Especialistas destacam que a reação do público depende de valores: respeito e fair play ganham apoio de uns, enquanto a ideia de malandragem pode ser vista como estratégia por outros, refletindo cultura futebolística brasileira.
Em 1986, o futebol viveu uma das histórias mais marcantes da Copa do Mundo, com um gol anotado por mão de Diego Maradona, que ficou conhecido pela jogada. Em 2010, a França chegou ao Mundial da África do Sul graças a uma mão de Thierry Henry, que ficou conhecida na imprensa. Em 2002, Rivaldo foi protagonista de uma simulação contra o atacante turco na estreia do Brasil naquela Copa.
No Paulistão recente, Andreas Pereira criou polêmica ao furar a marca d’água da cobrança de pênalti entre Corinthians e Palmeiras, gerando debates sobre ética no esporte. No dia seguinte, Alisson Safira, atacante do Juventude, parou a jogada para atender Diney, zagueiro do adversário, no jogo contra o São José. O Juventude vencia por poucos gols, mas acabou eliminando o adversário com o lance.
Safira explicou a atitude após a partida e afirmou que agiu por solidariedade a um colega de profissão. O Juventude acabou virando o jogo nos minutos finais e garantiu vaga à semifinal do Campeonato Gaúcho. O episódio provocou reações diversas entre torcedores, com críticos e apoiadores expressando diferentes leituras sobre o comportamento em campo.
Mudança de percepção
Especialistas destacam que episódios assim reforçam valores já existentes entre o público: respeito e fair play para parte dos torcedores, e a visão do jogo como competição em que vencer é o objetivo para outros. O tema divide opiniões de maneira previsível, segundo avaliação de estudiosos.
Para o pesquisador Alberto Reppold Filho, da UFCSPA, o termo malandragem possui sentidos distintos no futebol. Em alguns casos, pode significar astúcia e criatividade; em outros, deslealdade ou trapaça. Ele aponta que, no Brasil, há uma tendência de supervalorizar a malandragem, o que pode levar a uma tolerância relativa a atitudes consideradas antiéticas por setores da torcida.
O especialista ressalta que a percepção está conectada a um cultural mais amplo. A expressão da malandragem não seria uma característica exclusiva de jogadores brasileiros, mas um reflexo cultural que o esporte amplia quando há valorização de certas práticas.
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