- PhotoEspaña abriu em Madri, com nearly 100 exposições previstas até setembro, reunindo mais de trezentos artistas visuais no país.
- O tema da edição, “Reimagining”, reúne obras de fotógrafos espanhóis e internacionais, com foco em novas abordagens ao meio.
- Fundação Mapfre apresenta uma visão abrangente da carreira de Alejandro Cartagena, incluindo três séries sobre a fronteira entre os Estados Unidos e o México.
- Laia Abril mostra sete retratos em grande formato sobre os impactos da endometriose, com mulheres e uma pessoa trans.
- Destaques incluem Lux e Umbra, retrospectiva de Viviane Sassen; The Wreckage of a Catastrophe, de Txema Salvans; The Grid, de Jon Gorospe; Espacio Disponible, de Eduardo Nave; e uma homenagem a photobooks canônicos (Avedon e The Americans).
PhotoEspaña 2026 chega ao auge: o festival de fotografia da Espanha traz, até setembro, quase 100 exposições em Madrid e em outras cidades, reunindo mais de 300 artistas visuais. O tema é Reimagining, com obras de nomes consagrados e jovens talentos.
Entre as exhibições, destaca-se a mostra dedicada ao fotógrafo mexicano Alejandro Cartagena, na Fundação Mapfre. Três séries debatendo a fronteira entre EUA e México aparecem em panos que vão da linha invisível ao retrato de Los Americanos.
A curadoria também explora a dor e a corporeidade. No Museo del Romanticismo, Laia Abril apresenta sete retratos em tamanho real sobre a endometriose, mostrando mulheres e um homem trans em posições de alívio da dor.
A fronteira, o corpo e a identidade
A obra de Cartagena questiona identidade e fronteiras físicas, destacando como o muro transforma pessoas em símbolos de separação. A mostra reúne trabalhos que discutem pertencimento e diferença cultural.
Na Fernán Gómez, Lux e Umbra revisita Viviane Sassen, cuja trajetória dialoga com moda, surrealismo e uma visão incerta de gênero. A retrospectiva enfatiza o uso de sombras como linguagem.
Milach e a foto-ação pública também marcam presença. A exposição Refusal. Second fracture no Circulo de Bellas Artes apresenta fotografia engajada, com banners, murais e jornais voluntários para ampliar redes de resistência.
Perspectivas de arquivo e novas leituras
O festival também reúne projetos que dialogam com arquivos e práticas documentais. The Grid, de Jon Gorospe, utiliza vídeo e áudio para mapear rotinas de deslocamento e ambientes urbanos.
Aleix Plademunt compõe uma visão colonial com mais de 120 fotos em preto e branco sobre a seringueira na selva peruana, enfatizando olhar histórico sobre o território.
Eduardo Nave apresenta Espacio Disponible, com outdoors vazios e enferrujados, como contraponto à era digital e ao tempo de consumo de mídia.
Dois homenageados de referência retratam fotolivros clássicos. Richard Avedon. In the American West (1979-1984) e Robert Frank and The Americans ocupam espaços distintos para debate de linguagem documental.
Conclusões em perspectiva
Txema Salvans, com The Wreckage of a Catastrophe, questiona o otimismo da vida na estrada, destacando críticas à expansão associada ao sonho americano. Educar as leituras sobre mobilidade e consumo é parte do foco do conjunto.
Rafał Milach, com Archive of Public Protests, discute o papel da fotografia de protesto na era contemporânea, buscando acessibilidade e participação de novos públicos na leitura de tensões sociais na Polônia e Europa Oriental.
O conjunto de mostras reforça o eixo curatorial de PhotoEspaña 2026: explorar como imagens moldam identidades, memórias e políticas públicas sem perder o viés informativo e crítico.
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