- O aiatolá Ali Khamenei afirmou que o Irã não cederá ao “inimigo” e disse que os vândalos devem ficar “em seu lugar”.
- O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou estar “pronto para agir” em apoio aos protestos, sem detalhar ações.
- As autoridades enfrentam mais de dez mortes e dezenas de detidos desde o início dos protestos, alimentados pela crise econômica com a desvalorização do rial.
- O governo adotou uma abordagem dupla: diálogo com manifestantes, mas uso de gás lacrimogêneo contra confrontos; violência concentrada em cidades do oeste do país, com duas mortes entre membros das forças de segurança.
- O grupo Hengaw registrou 133 presos, aumento de 77 em relação ao dia anterior, enquanto os protests continuam em várias cidades, incluindo áreas de Teerã.
O líder supremo do Irã, Ayatollah Ali Khamenei, afirmou que o país não cederá diante das tensões internas. A declaração ocorreu em uma transmissão gravada, após o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçar intervir para apoiar os manifestantes.
Khamenei disse que o Irã não se renderá ao que chamou de inimigo e criticou os rioters, dizendo que devem ser contidos. A fala ocorreu em meio a relatos de repressão às manifestações que se intensificaram desde o fim de semana, com dezenas de detenções e relatos de mortes.
Grupos de direitos humanos apontam para mais de 10 mortos e centenas de prisões, em meio a um contexto de desvalorização da moeda e crise econômica. A repressão ocorreu sobretudo em cidades do oeste do país, onde houve confrontos entre manifestantes e forças de segurança.
ECONOMIC CRISIS
Autoridades adotam estratégia dupla, reconhecendo o direito às protestos contra a economia, ao mesmo tempo em que recorrem ao gás lacrimogênio para dispersar confrontos. Com o mercado em colapso, comerciantes ouvidos pelo governo também reclamam da queda cambial.
Khamenei destacou que negociações com os manifestantes devem ocorrer, mas ressaltou que não haverá diálogo com quem, segundo ele, provoca distúrbios. A fala reforça a posição de endurecimento ao enfrentar a crise social alimentada pela inflação.
Relatos de violência chegam de cidades pequenas, com o governo informando a morte de dois agentes de segurança e mais de uma dúzia de feridos. A ONG Hengaw registra 133 detenções, aumento de 77 em relação ao dia anterior.
Trump afirmou, na sexta-feira, que os EUA estavam prontos para agir, embora sem detalhar medidas. A declaração aumenta a pressão sobre as autoridades iranianas, já sobrecarregadas por sanções, com falhas no fornecimento de água e energia em algumas regiões.
FLARING VIOLENCE
As manifestações são as mais significativas desde as grandes mobilizações de 2022, geradas pela morte de Mahsa Amini. Embora menores em escala, as protestos atuais representam o maior teste doméstico para o governo nos últimos anos.
Grupos de direitos humanos e ativistas relatam continuidade dos protestos e de ações violentas por parte de forças de segurança. A mídia estatal aponta ataques a propriedades promovidos por infiltrados, em nome do protesto.
A Reuters não conseguiu verificar de imediato as informações dos grupos, da imprensa estatal ou de perfis em redes sociais. O contexto envolve ainda descontrole regional, com impactos sobre a posição estratégica do Irã na região.
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