- Macron e Giorgia Meloni defendem diálogo direto com Vladimir Putin para reduzir a dependência europeia dos EUA e buscar um papel próprio no processo de paz.
- O presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou que, se necessário, a Europa deve estar pronta para negociar com a Rússia, sem atrapalhar as negociações lideradas pelos Estados Unidos.
- A mudança estratégica europeia ganhou impulso após o plano de paz de Donald Trump, que abriu caminho para uma reintegração russa à economia global.
- Apesar de sanções, muitas empresas continuam operando na Rússia, mantendo laços comerciais e criando espaço para negociações de pela frente.
- Questões de sanção permanecem complexas: empresas como NLMK e Lukoil permanecem em fontes de controvérsia, com divisões entre Estados-membros sobre como aplicar as medidas.
O tema da relação entre a União Europeia e a Rússia voltou a ganhar relevância após declarações de líderes europeus sobre a necessidade de conversar com Moscou. Em Davos, no Fórum Econômico Mundial, representantes europeus discutiram a possibilidade de abrir canais diretos com o governo russo diante da complexa conjuntura na Ucrânia. A ideia surge em meio a tensões com os Estados Unidos e a busca por maior autonomia estratégica.
Entre os protagonistas, o presidente francês Emmanuel Macron e a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni defenderam que a Europa encontre um formato adequado para falar com Putin. A decisão ocorre em um contexto de crise nas relações com Washington, com sinais de que as negociações com a Rússia podem evoluir paralelamente às tratativas lideradas pelos EUA.
Costa, presidente do Conselho Europeu, afirmou que a União deve estar preparada para negociar com Moscou, mesmo sem abandonar o caminho das conversas sob a égide dos EUA. A menção ocorreu em 27 de janeiro, em encontros com jornalistas, incluindo a *Foreign Policy*, sem indicar apoio a um processo paralelo que atrapalhe as negociações ocidentais.
A mudança de postura europeu é atribuída a um plano de paz de Donald Trump, apresentado como alternativa aos acordos apoiados por Washington. O documento prevê a reintegração da Rússia à economia global e a retomada do fluxo de energia para a Europa, segundo reportagens de veículos financeiros.
Especialistas consultados pela *Foreign Policy* destacam que a primeira proposta de Trump indicava uso de ativos russos congelados e vantagens para empresas dos dois países, sem diálogo com Paris, Bruxelas ou Berlim. A discussão na Europa ganha força diante desse cenário.
A União Europeia enfrentou um dilema entre manter o engajamento com a Rússia para preservar cadeias de suprimentos e, ao mesmo tempo, aumentar a pressão com sanções. O bloco impôs 19 pacotes de sanções desde o início da ofensiva na Ucrânia, com efeitos diverгentes entre Estados-membros.
Dados de organizações de pesquisa indicam que milhares de empresas europeias permaneceram ativas na Rússia. Segundo o projeto Leave Russia, mais de 2.300 companhias estrangeiras ainda atuavam de alguma forma, com apenas 547 saídas completas. A Alemanha figura entre os países com maior presença.
Andrii Onopriienko, da Kyiv School of Economics, disse que muitas firmas priorizam continuidade econômica sobre questões éticas, analisando contratos e interesses de acionistas. A conclusão aponta para uma pressão para manter vínculos econômicos, mesmo diante de sanções.
A dependência europeia persiste em áreas como fertilizantes e parte do gás natural liquefeito. Relatórios indicam que, mesmo com redução de importações de gás via gasodutos, o LNG manteve níveis próximos aos anteriores. Em 2025, o LNG russo respondia por uma parcela relevante do suprimento.
No âmbito energético, a Rússia continua sendo fornecedora de fertilizantes para a UE, e certos componentes da indústria de aço, como as lâminas da NLMK, seguem operando em países da União. Incluem-se dúvidas sobre o alcance de sanções contra grandes produtores.
Em resposta às perguntas sobre a situação de empresas específicas, uma porta-voz da UE afirmou que as sanções são adotadas por consenso entre os 27 membros e que detalhes não podem ser comentados publicamente. A legislatura europeia afirma manter o foco na gradual e ordenada redução de dependências.
Paralelamente, a França lidera uma frente que visa monitorar a Ucrânia com apoio de aliados, enquanto assuntos envolvendo a indústria nuclear e parcerias com entidades russas aparecem em discussão interna. A comissão europeia reitera o objetivo de reduzir a dependência de origens russas de forma gradual.
Em resumo, a Europa encara uma encruzilhada: manter o padrão de pressão com sanções rígidas ou buscar canais diretos para negociar com a Rússia. O debate também envolve a dimensão econômica, com impactos potenciais em cadeias de suprimento, comércio e empregos no continente.
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