Em Alta Copa do Mundo NotíciasFutebol_POLÍTICA_Brasileconomia

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Irã subestima perigosamente sua situação

Teerã subestima o ritmo dos EUA nas negociações; atraso estratégico pode provocar conflito regional de consequências catastróficas

Iranian Supreme leader Ali Khamenei is alongside Iran's President Masoud Pezeshkian, Parliament Speaker Mohammad Bagher Ghalibaf, Judiciary Chief Mohsen Ejeie, and Hezbollah representative in Iran Abdallah Safieddine reading the Koran during the Friday prayer ceremony on October 04, 2024 in Tehran.
0:00
Carregando...
0:00
  • Irã acreditava ter as negociações com os Estados Unidos sob controle, esperando um acordo próximo antes da invasão da Ucrânia em fevereiro de dois mil e vinte e dois; a war mudou o cenário e o acordo não ocorreu.
  • Observadores mencionaram uma lacuna de velocidade entre Teerã e Washington: Washington não tolera atrasos e busca vitórias rápidas, o que pode encerrar negociações antes de o Irã considerar realista.
  • Na véspera de uma nova frente de conflito com Israel, o Irã estimou que haveria ataques apenas contra instalações nucleares; na prática, houve ações que ceifaram parte da liderança militar iraniana e, no fim, os Estados Unidos atingiram instalações nucleares iranianas.
  • O enriquecimento a sessenta por cento não foi movido antes do conflito; o Irã percebeu o risco de envolvimento americano, mas Washington entrou no conflito; o contexto mudou e a negociação antiga não serve mais.
  • O ambiente regional mudou significativamente: Síria perdeu peso estratégico, Hezbollah e Hamas perderam capacidade de defesa, e o Irã continua a negociações centradas no tema nuclear, apesar das novas condições de poder na região.

O Irã parece subestimar a própria posição em relação aos EUA. Avaliações de especialistas indicam que Teerã interpretou de forma otimista sinais de negociação, mesmo com a invasão da Ucrânia em curso e mudanças significativas no cenário global.

No fim de 2022, após a tentativa de acordo sobre o acordo nuclear, surgiram leituras de que o Irã teria ganhado tempo com a esperança de novas condições após o choque europeu com a Rússia. A ideia era que a crise energética na Europa beneficiaria Teerã.

Observadores próximos às negociações descrevem um “gap de velocidade” entre Teerã e Washington. Diplomatas ressaltam que o tempo dos EUA não segue o mesmo ritmo institucional de anos anteriores, o que pode reduzir a paciência de Washington.

A avaliação é de que Teerã pode tentar prolongar as negociações para influenciar eleições americanas, o que é visto como arriscado. A leitura de que os EUA aceitariam tempo extra pode não se confirmar, segundo a leitura de especialistas.

Antes de ataques aéreos subsequentes no Oriente Médio, oficiais iranianos acreditavam que Israel atacaria apenas após a conclusão de uma rodada de negociações. Na prática, houve ações que atingiram capacidades militares e infraestruturas iranianas, mudando o cenário.

Ao fim do conflito recente, algumas autoridades iranianas reconheceram que o enriquecimento de urânio a 60% não foi retirado com antecedência. A percepção de intervenção dos EUA no conflito acabou confirmada, apesar das expectativas.

O cessar-fogo veio após um ataque simbólico a bases norte-americanas no Qatar, segundo relatos iranianos. A rigor, o cenário mudou de forma abrupta, com danos a infraestruturas críticas que afetaram o programa de enriquecimento.

Com o acordo de 2015 já não refletindo a realidade, Teerã viu a vantagem diminuir. O acordo de então dependia de circunstâncias políticas, flexibilidade terrestre e ambiente internacional favorável, que hoje não se repetem.

A leitura de Teerã é de que a pressão militar dos EUA busca uma resolução por meio de um acordo nuclear, evitando conflito regional prolongado. Porém, a atualização estratégica mostra uma ação militar mais ampla sediada na região.

Na prática, o Irã tem mostrado capacidades e estoque de armamentos, segundo relatos ocidentais. O desafio é que a confiança no desfecho diplomático permanece, ainda que o ambiente estratégico tenha se alterado.

O cenário geopolítico na região mudou com a mudança de alianças e capacidades de grupos locais. Síria, Hezbollah, Hamas e outros perderam peso relativo, enquanto o Irã ajusta seus cálculos diante de novas realidades regionais.

Apesar de reuniões entre autoridades iranianas e representantes de outros países, as negociações continuam concentradas no tema nuclear. A avaliação é de que Teerã ainda duvida da disposição de Trump em sustentar um conflito prolongado.

No conjunto, o equilíbrio atual é de alto risco para a região. A aposta de ambas as partes envolve manter pressão para obter concessões, sem que haja consenso claro sobre o desfecho.

A lógica de brinkmanship envolve esperar que o outro chefe de governo ceda primeiro. O problema real é o tempo disponível para cada lado, que pode se esgotar antes de qualquer reviravolta decisiva.

Dentro do Irã, debates internos variam entre defensores de ações externas e quem defende maior estabilidade interna. Entre jovens, há vozes que consideram ações dramáticas como possibilidade de mudança, sob condições atuais.

A leitura predominante nos EUA é de que o objetivo é evitar uma escalada prolongada, embora persista a negociação sobre mísseis balísticos e atividades regionais. Essa posição coloca pressão contínua sobre Teerã.

Em resumo, Teerã continua cogitando a mesa de negociações como solução, mesmo diante de mudanças profundas no entorno regional. O risco é que faltem sinais de recuo antes de decisões de alto impacto.

O relógio político marca mudanças: cada passo pode redefinir a relação entre Washington e Teerã. O cenário atual sugere que a convergência necessária para acordo depende de fatores que vão além do nuclear.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais