- Irã acreditava ter as negociações com os Estados Unidos sob controle, esperando um acordo próximo antes da invasão da Ucrânia em fevereiro de dois mil e vinte e dois; a war mudou o cenário e o acordo não ocorreu.
- Observadores mencionaram uma lacuna de velocidade entre Teerã e Washington: Washington não tolera atrasos e busca vitórias rápidas, o que pode encerrar negociações antes de o Irã considerar realista.
- Na véspera de uma nova frente de conflito com Israel, o Irã estimou que haveria ataques apenas contra instalações nucleares; na prática, houve ações que ceifaram parte da liderança militar iraniana e, no fim, os Estados Unidos atingiram instalações nucleares iranianas.
- O enriquecimento a sessenta por cento não foi movido antes do conflito; o Irã percebeu o risco de envolvimento americano, mas Washington entrou no conflito; o contexto mudou e a negociação antiga não serve mais.
- O ambiente regional mudou significativamente: Síria perdeu peso estratégico, Hezbollah e Hamas perderam capacidade de defesa, e o Irã continua a negociações centradas no tema nuclear, apesar das novas condições de poder na região.
O Irã parece subestimar a própria posição em relação aos EUA. Avaliações de especialistas indicam que Teerã interpretou de forma otimista sinais de negociação, mesmo com a invasão da Ucrânia em curso e mudanças significativas no cenário global.
No fim de 2022, após a tentativa de acordo sobre o acordo nuclear, surgiram leituras de que o Irã teria ganhado tempo com a esperança de novas condições após o choque europeu com a Rússia. A ideia era que a crise energética na Europa beneficiaria Teerã.
Observadores próximos às negociações descrevem um “gap de velocidade” entre Teerã e Washington. Diplomatas ressaltam que o tempo dos EUA não segue o mesmo ritmo institucional de anos anteriores, o que pode reduzir a paciência de Washington.
A avaliação é de que Teerã pode tentar prolongar as negociações para influenciar eleições americanas, o que é visto como arriscado. A leitura de que os EUA aceitariam tempo extra pode não se confirmar, segundo a leitura de especialistas.
Antes de ataques aéreos subsequentes no Oriente Médio, oficiais iranianos acreditavam que Israel atacaria apenas após a conclusão de uma rodada de negociações. Na prática, houve ações que atingiram capacidades militares e infraestruturas iranianas, mudando o cenário.
Ao fim do conflito recente, algumas autoridades iranianas reconheceram que o enriquecimento de urânio a 60% não foi retirado com antecedência. A percepção de intervenção dos EUA no conflito acabou confirmada, apesar das expectativas.
O cessar-fogo veio após um ataque simbólico a bases norte-americanas no Qatar, segundo relatos iranianos. A rigor, o cenário mudou de forma abrupta, com danos a infraestruturas críticas que afetaram o programa de enriquecimento.
Com o acordo de 2015 já não refletindo a realidade, Teerã viu a vantagem diminuir. O acordo de então dependia de circunstâncias políticas, flexibilidade terrestre e ambiente internacional favorável, que hoje não se repetem.
A leitura de Teerã é de que a pressão militar dos EUA busca uma resolução por meio de um acordo nuclear, evitando conflito regional prolongado. Porém, a atualização estratégica mostra uma ação militar mais ampla sediada na região.
Na prática, o Irã tem mostrado capacidades e estoque de armamentos, segundo relatos ocidentais. O desafio é que a confiança no desfecho diplomático permanece, ainda que o ambiente estratégico tenha se alterado.
O cenário geopolítico na região mudou com a mudança de alianças e capacidades de grupos locais. Síria, Hezbollah, Hamas e outros perderam peso relativo, enquanto o Irã ajusta seus cálculos diante de novas realidades regionais.
Apesar de reuniões entre autoridades iranianas e representantes de outros países, as negociações continuam concentradas no tema nuclear. A avaliação é de que Teerã ainda duvida da disposição de Trump em sustentar um conflito prolongado.
No conjunto, o equilíbrio atual é de alto risco para a região. A aposta de ambas as partes envolve manter pressão para obter concessões, sem que haja consenso claro sobre o desfecho.
A lógica de brinkmanship envolve esperar que o outro chefe de governo ceda primeiro. O problema real é o tempo disponível para cada lado, que pode se esgotar antes de qualquer reviravolta decisiva.
Dentro do Irã, debates internos variam entre defensores de ações externas e quem defende maior estabilidade interna. Entre jovens, há vozes que consideram ações dramáticas como possibilidade de mudança, sob condições atuais.
A leitura predominante nos EUA é de que o objetivo é evitar uma escalada prolongada, embora persista a negociação sobre mísseis balísticos e atividades regionais. Essa posição coloca pressão contínua sobre Teerã.
Em resumo, Teerã continua cogitando a mesa de negociações como solução, mesmo diante de mudanças profundas no entorno regional. O risco é que faltem sinais de recuo antes de decisões de alto impacto.
O relógio político marca mudanças: cada passo pode redefinir a relação entre Washington e Teerã. O cenário atual sugere que a convergência necessária para acordo depende de fatores que vão além do nuclear.
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