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Quão preocupados devemos ficar com uma guerra nuclear?

IAEA alerta: queda do New START aumenta incertezas sobre arsenais nucleares; proliferação horizontal pode erodir a ordem global e elevar riscos de conflito

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  • New START, principal tratado entre Estados Unidos e Rússia, expirou; não há hoje acordo vigente para limitar arsenais, o que reduz a previsibilidade, e há disputa sobre incluir China no diálogo. Novas tecnologias também precisam ser consideradas.
  • IAEA alerta para proliferação horizontal: nove países já possuem armas nucleares e até trinta ou mais podem ter capacidade, aumentando o risco de uso em conflitos regionais se o padrão se romper.
  • Sobre o Irã, houve danos a instalações durante o conflito anterior; o material nuclear permanece, com cerca de quinhentos quilos de urânio enriquecido a níveis elevados, e o acesso da IAEA às instalações é crucial para verificar o programa.
  • Diplomacia ainda fica em curso: EUA buscam acordos mais amplos, incluindo mísseis balísticos e apoio regional; a negociação continua sob vigilância e com a possibilidade de reativar o acordo sob verificação estrangeira.
  • Candidatura de Rafael Grossi à direção da Organização das Nações Unidas é apresentada como esforço para fortalecer o multilateralismo e a diplomacia, com a IAEA desempenhando papel central na paz, segurança e não proliferação.

Rafael Grossi, chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA), afirma que abandonar o objetivo de não proliferação seria um erro dramático. Em entrevista no Munich Security Conference, Grossi ressaltou que o sistema nuclear global enfrenta rupturas estruturais, com o fim do tratado New START entre EUA e Rússia e expansão nuclear de outras potências.

O tema central é a incerteza sobre o futuro das armas nucleares. O New START expirou recentemente, e não há um novo acordo em vigor que imponha limites claros aos arsenais. Grossi diz que, apesar de não prever mudanças rápidas, a ausência de um novo tratado reduz a previsibilidade estratégica mundial.

Além disso, o diplomata observa que a China ainda não concorda com a inclusão de mais atores nas negociações. Também aponta que novas tecnologias, como vectores e drones hipersônicos, exigem atualização de instrumentos de controle. O resultado é uma arquitetura de não proliferação menos previsível.

Outro eixo da entrevista trata da proliferação horizontal. Grossi lembra que nove países possuem armas nucleares, enquanto cerca de 30 outros poderiam, em teoria, entrar no grupo. A expansão potencial é apresentada como um risco que pode aumentar a pressão por armas e elevar o risco de uso em conflitos regionais.

Iran e o papel da IAEA

Grossi comenta o relatório da IAEA sobre o Irã, destacando que não há indicação de um programa ativo para fabricar armas, mas que há preocupações ligadas a acesso limitado e a traços de urânio enriquecido. O atual impasse decorre da dificuldade de inspeção consentida pelo Irã, o que impede avaliações mais completas.

O inspetor-chefe explica que, mesmo após ataques a instalações iranianas, parte da infraestrutura nuclear permanece relevante. Ele cita ainda que cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60% estavam armazenados, recurso que requer verificação contínua para evitar desvio. A continuidade das negociações com os EUA é mencionada como elemento importante.

Caminho diplomático e cenário global

A entrevista contextualiza o atual cenário regional e global. Grossi ressalta que a deterioração da confiança entre grandes potências torna mais difícil chegar a acordos robustos, mas enfatiza que o uso de força ou a criação de catapultas para o conflito nuclear não seriam desejáveis. A ideia central é manter o foco na diplomacia multilateral.

O dirigente argentino também aborda a candidatura dele ao posto de secretário-geral da ONU, destacando a importância de manter a ONU como plataforma de cooperação e paz. Ele sustenta que a agência que dirige, a IAEA, demonstra como a diplomacia multilateral pode viabilizar soluções em tempos complexos.

A conversa ocorreu à margem do Munich Security Conference, com a íntegra da entrevista disponível para assinantes e em formato de podcast. Grossi reforça que a IAEA permanece como um canal essencial para verificação, segurança e energia nuclear, mesmo diante de dilemas estratégicos.

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