- Halyna Popriadukhina, 65 anos, fugiu de casa pela terceira vez enquanto tropas russas avançam no leste da Ucrânia, em quatro anos de conflito.
- Ela teme não ter para onde escapar; um filho está desaparecido e o outro, provavelmente, está sob controle russo.
- Quase quatro milhões de pessoas estão deslocadas dentro da Ucrânia e mais de cinco milhões buscaram refúgio na Europa.
- O controle do Donbas é foco de negociações de paz apoiadas pelos EUA; a Rússia quer que Kiev ceda os 20% restantes da região, demanda que Zelenskiy rejeita.
- A guerra tem custo humano alto, com locais como a “Alley of Heroes” e apoio a refugiados internos diminuindo; mais de 70 mil ucranianos permanecem desaparecidos.
Halyna Popriadukhina, 65 anos, deixou a própria casa pela terceira vez desde o início da ofensiva russa no leste da Ucrânia, há quatro anos. A ex-trabalhadora de kolkhoz quer acreditar que o país consiga conter as forças invasoras.
A moradora de Vremivka vive hoje em Dzenzelivka, na região central da Ucrânia, após passar por várias deslocações internas. Um dos filhos está desaparecido, o outro possivelmente está sob custódia russa, segundo relatos da família.
Popriadukhina lembra o dia em que tudo mudou: 24 de fevereiro de 2022, quando começaram os ataques e os mísseis. Ela foi convencida a fugir pelo filho, deixando para trás casa e gado que garantiam a sobrevivência.
Após meses no oeste do país, retornou à Donbass no meio de 2022 e, em 2023, precisou partir novamente quando as tropas avançaram para o Dnipropetrovsk. Hoje vive centenas de quilômetros longe de Vremivka.
A casa em Dzenzelivka é abandonada e precária, em meio a uma feira de retratos de soldados caídos, parte de uma alameda local. Residentes costumam passar pela manhã para prestar homenagem.
A trajetória de Popriadukhina ilustra o avanço russo, que ocupou cerca de 20% do território ucraniano, segundo Kyiv. Kyiv sustenta que as ofensivas foram profundas e causaram destruição generalizada. Donbas continua no centro das negociações de paz apoiadas pelos EUA.
Enquanto a artilharia persiste, o Conselho Norueguês para Refugiados advertiu que refugiados internos enfrentam maior dificuldade para sobreviver. A escassez de ajuda e a redução de poupanças ampliam riscos de condições precárias.
Popriadukhina já recebeu, no passado, a oferta de passagem para a Polônia, mas afirma que não deixaria o país. Ela também acompanha as incertezas sobre o futuro de seus dois filhos, um hospitalizado em Mariupol e o outrosumido desde 2023.
Segundo autoridades ucranianas, mais de 70 mil ucranianos permanecem desaparecidos no conflito, somando soldados e civis. O número de mortes também é estimado em dezenas de milhares.
No contexto das negociações, Zelenskiy destacou que não há retirada simples: Donbass pertence à independência do país, e a paz ainda depende de acordos que reconheçam a população e o território.
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