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Museu da Ucrânia abre em bunker antiaéreo em Berlim

Museu da Ucrânia abre em bunker de Berlim, expondo a realidade do conflito e a resiliência ucraniana, na semana do quarto aniversário da invasão russa

A young visitor sits underneath a reconstruction of a Russian cruise missile, intended to give a sense ‘of how big it is when it’s flying towards you’. Photograph: Ralf Hirschberger/AFP/Getty Images
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  • A Ukraine Museum abriu em um bunker antiaéreo de Berlim, transformando o espaço em uma exposição “viva” sobre a resistência ucraniana e a realidade da guerra na Europa.
  • A visitação é acompanhada pela sensação de estar sob mira de drones russos, com imagens de câmeras de armas projetadas para reforçar a percepção do conflito em curso.
  • O acervo, criado com apoio do Museu Nacional de História Militar de Kiev, reúne equipamentos destruídos, fotos de destruição e relatos de vidas impactadas pela invasão.
  • Destaques incluem um Fiat Scudo danificado, usado como táxi social para evacuar idosos em Kherson, e dezenas de drones russos coletados com ajuda da defesa ucraniana; há ainda um maior míssil reconstruído em oito partes por impressão 3D.
  • O museu, financiado de forma privada, fica aberto enquanto a guerra durar e pretende alertar o público sobre os riscos da escalada do conflito, além de criticar apoios a políticas pró-Putin.

A Opena exposição permite aos visitantes entender, de forma direta, a realidade da guerra que envolve a Ucrânia. O Ukraine Museum abriu ontem em Berlim, instalado dentro de um bunker antiaéreo da Segunda Guerra Mundial, no centro da cidade. A mostra reúne imagens, destroços e relatos para explicar as origens e as consequências do conflito que persiste na Europa.

O acervo, privado e fruto de acervos do Museu Nacional de História Militar de Kyiv e de tropas da 7ª Força de Resposta Rápida em Pokrovsk, conta ainda com peças recuperadas no front. Entre elas, peças de equipmento danificadas, fotografias de destruição e relatos de quem viveu os impactos diretos da invasão.

O museu funciona desde esta semana, coincidindo com o quarto aniversário da invasão russa à Ucrânia. Os organizadores afirmam que o espaço permanece aberto pelo tempo que durar o conflito, e que a mostra busca manter a atenção pública sobre o tema.

Exposições e objetos

O local expõe veículos e itens que sofreram danos, incluindo um Fiat Scudo com vidro estilhaçado e assentos manchados de sangue, utilizado para evacuação de idosos em Kherson. Um funcionário vivo no veículo e outro sobrevivente receberam ferimentos com estilhaços, após um ataque com drone em abril de 2025.

Nove drones russos, coletados com apoio às forças ucranianas, aparecem suspensos no teto. Entre eles, o Molniya, de baixo custo, montado com itens simples como fita adesiva e uma câmera descartável, utilizado em ações de ataque.

A maior peça reconstructa um míssil de cruzeiro em oito partes por meio de impressão 3D, já que o original não pôde ser importado. Uma foto grande ao lado mostra um bloco de apartamentos de Kyiv atingido pelo projétil, ligado à história pessoal de um repórter de guerra que perdeu um amigo na tragédia.

Há também um depoimento de Roman Sukhan, ex-apresentador de TV e hoje repórter de linha de frente, que reforça a ideia de que a ameaça russa é próxima e constante. O percurso aborda ainda a resistência dos ucranianos e as consequências do conflito para civis.

Contexto e apoio

A iniciativa destaca a participação da Alemanha como um importante fornecedor de armas à Ucrânia e como abrigo para refugiados. O espaço também evidencia o papel de analistas e políticos na discussão pública sobre a guerra, sem abordar julgamentos ou posições partidárias.

Os curadores afirmam que, para manter o projeto, é essencial manter a memória viva sobre o custo humano do conflito. O bunker de Berlim, criado em 2014 por Wieland Giebel e Enno Lenze, é apresentado como um espaço permanente para exposições históricas.

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