- Israel expandiu a campanha terrestre para novas áreas do sul do Líbano, aumentando o temor de ocupação prolongada entre milhares de deslocados.
- O ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou que as Forças de Defesa de Israel foram instruídas a destruir a infraestrutura de terrorismo nas aldeias próximas à fronteira, akin ao que ocorreu em Gaza.
- A escalada segue o acordo de cessar-fogo de novembro de 2024, que previa recuo do Hezbollah e controle do território libanês pelo exército local, o que não ocorreu segundo Israel.
- Desde o dia 2 de março, quando Hezbollah lançou rockets, cerca de 1 milhão de pessoas foram deslocadas, com mais de 800 mortos, segundo relatos.
- Especialista da Human Rights Watch alerta que impedir o retorno de civis pode configurar crime de guerra, enquanto moradores de Naqoura expressam medo de ocupação e de não conseguir retornar.
Israel ampliará campanha terrestre no Líbano, elevando temores de ocupação prolongada entre centenas de milhares de libaneses deslocados. O anúncio foi feito nesta segunda-feira, com a entrada de tropas em novas áreas da região sul do país. A ofensiva ocorre após a escalada do conflito com o grupo Hezbollah e a continuidade de ataques aéreos israelenses.
Segundo informações divulgadas pelo ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, as forças no terreno têm a missão de destruir a infraestrutura de “terror” nas aldeias fronteiriças do Líbano. As declarações ocorreram em meio a críticas de organizações de direitos humanos e a alerta de que deslocamentos podem se tornar permanentes.
Executores do ataque argumentam que a operação busca neutralizar alvos de Hezbollah e impedir reagrupamentos de armas perto da fronteira. A cobertura do conflito se intensifica após o rompimento do cessar-fogo de 2024, com ataques contínuos a partir de diferentes pontos do Líbano.
Contexto e desdobramentos
A defesa de Israel sustenta que o Líbano não cumpriu sua parte em um acordo de novembro de 2024 que previa retirada de Hezbollah do sul do Líbano. A continuação dos bombardeios israelenses tem mantido a região sob pressão e deslocado centenas de milhares de pessoas.
Organizações de direitos humanos alertaram para o risco de expulsões forçadas. Em relatório recente, pesquisadores indicam que impedira de retorno de civis pode ser considerado crime de guerra se mantido por tempo prolongado sem garantia de segurança para a população.
Impacto humano
Na região de Naqoura, fronteiriça ao Líbano, muitas pessoas permanecem deslocadas desde a semana passada, após ordens de deslocamento norteadas pela IDF. Moradores relatam dificuldades para obter alimento e abrigo, com parte da população dormindo na rua.
Entre os deslocados, moradores expressam temor de uma repetição de ocupação anterior, evidência histórica de décadas de conflito na área entre 1982 e 2000. A evacuação afeta comunidades com diferentes composições religiosas e étnicas ao longo da linha de demarcação.
Reação de especialistas
Analistas destacam que a estratégia pode redefinir o equilíbrio de poder antes de eventuais negociações diplomáticas. A leitura é de que o objetivo é estabelecer fatos no terreno, oferecendo maior margem de manobra em futuras negociações.
Profissionais de pesquisa em relações civil-milho permanecem atentos a sinais de mudança na doutrina de segurança israelense, que vem sendo aplicada em outras regiões, incluindo a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, com maior flexibilização de regras de engajamento.
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