- Na noite de segunda-feira, o Paquistão realizou um ataque aéreo sobre Kabul, atingindo um hospital de reabilitação; o Talibã afegão afirma ter 400 mortos e 250 feridos, enquanto o Paquistão diz ter atingido instalações militares e infraestrutura de apoio a terroristas.
- As tensões entre os dois países vêm desde fevereiro, com ataques paquistaneses a alvos no Afeganistão e uma trégua frágil já abalada por confrontos na fronteira.
- Islamabad sustenta que a liderança do Tehreek-e-Taliban Pakistan e combatentes estão baseados no Afeganistão, com insurgentes de Balochistão usando o país como refúgio.
- Kabul nega permitir que militantes usem território afegão para atacar o Paquistão; houve confrontos na fronteira e fechamento de pontos de passagem, prejudicando o comércio.
- Analistas avaliam que o Paquistão deve intensificar a campanha, enquanto Kabul pode responder com ataques a postos fronteiriços, em meio a uma marcada diferença de capacidades entre as partes.
Pakistan realiza ataque aéreo em Kabul e intensifica confronto com o Taliban afegão
Em dois momentos de tensão, o Paquistão realizou um ataque aéreo na noite de segunda-feira contra alvos na capital afegã, Kabul. A operação ocorre após semanas de confrontos entre os dois países vizinhos, marcando uma escalada que já envolve ataques aéreos, combates fronteiriços e mudanças no equilíbrio regional.
O Taliban afegão afirma que pelo menos 400 pessoas morreram e 250 ficaram feridas em um ataque a um hospital de reabilitação de drogas, na cidade de Kabul. O governo paquistanês, no entanto, sustenta que as ações Miraram instalações militares e estruturas associadas ao apoio de grupos extremistas.
O ministro da Defesa do Paquistão indicou, no mês passado, que as tensões com o Afeganistão haviam chegado a um nível de guerra aberta. Em fevereiro, o Paquistão lançou ataques aéreos em alvos militantes no Afeganistão, dando início a uma sequência de operações que atingiram cidades importantes ao longo da fronteira.
Observa-se uma mudança no tom desde a retomada do poder do Taliban no Afeganistão, em 2021. Islamabad diz que a liderança do Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP) e muitos de seus combatentes estão baseados no Afeganistão, e que insurgentes armados recorrem ao território vizinho como refúgio.
Kabul nega ter dado abrigo a militantes para ataques contra o Paquistão, e o governo afegão afirma que não permite o uso do território para ações contra o Paquistão. O Paquistão acusa o Afeganistão de abrigar também combatentes do Estado Islâmico, crítica que o governo de Kabul rejeita.
Após a série de ataques de fevereiro, autoridades paquistas disseram ter evidências de que militantes no Afeganistão estavam por trás de uma nova onda de ataques contra forças de segurança paquistanesas. Diversos incidentes desde 2024 foram apontados pela segurança paquistanesa como vinculados ao Afeganistão.
Entre os atores, o TTP — conhecido como Talibã paquistanês — surgiu em 2007 com o apoio de grupos locais no noroeste do Paquistão. O grupo já atuou contra mercados, mesquitas e bases militares, além de manter presença em áreas costeiras próximas à fronteira com o Afeganistão.
Analistas estimam que o Paquistão deve intensificar a campanha militar, enquanto Kabul pode responder com ataques a postos fronteiriços e incursões de guerrilha. O cenário permanece tenso, com negociações anteriores mediadas por terceiros dependendo de fatores regionais.
Segundo dados de referência, o Taliban afegão tem cerca de 172 mil integrantes, substancialmente menos que as forças paquistanesas, que somam mais de 600 mil combatentes ativos. O Paquistão também possui arsenal moderno e capacidades aéreas superiores.
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