- A primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi sugeriu, em Washington, que o Japão, em caso de invasão de Taiwan, ajudaria a afundar as naves de desembarque chinesas antes de alcançarem a ilha, como parte da aliança com os EUA.
- A ideia não é caridade a Taipei, mas compromisso com a aliança EUA-Japão e com a própria sobrevivência do Japão.
- Takaichi já havia sinalizado em novembro que um bloqueio chinês a Taiwan poderia ameaçar a sobrevivência do Japão, apoiando-se nas leis de segurança de dois mil e quinze para uso da força em situações de ameaça à sobrevivência.
- A China reagiu com críticas, cancelou voos para o Japão e proibiu exportações, incluindo minerais críticos.
- O texto destaca que o Japão já vem fortalecendo capacidades de dissuasão, com contratações para mísseis de cruzeiro Tomahawk, F-35 e mísseis antinavio, além de desenvolver seu próprio míssil tipo 12, visando ampliar a resposta caso haja invasão.
A governanta japonesa Sanae Takaichi, em visita a Washington, discutiu uma possível resposta de defesa caso a China avance para invadir Taiwan. A proposta trataria de apoiar a destruição, no deslocamento inicial, de navios de desembarque chineses antes que alcancem a ilha, como forma de sustentar a aliança entre Japão e Estados Unidos e a própria segurança do Japão. A ideia não seria caridade a Taipei, mas um compromisso com a dissuasão coletiva.
A fala de Takaichi ganhou destaque em meio a mensagens de apoio do governo americano ao fortalecimento da parceria com aliados na região. Ela já havia sinalizado, em novembro, que um bloqueio chinês a Taiwan poderia representar ameaça à sobrevivência do Japão, conforme argumentado com base na legislação de segurança de 2015 que permite uso de força em situações de risco à própria sobrevivência, mesmo sem ataque direto.
O tema não representou promessa de intervenção unilateral, mas chamou a atenção de Pequim. Diplomatas chineses reagiram de forma contundente, descrevendo as declarações como choque e ameaça de uso de força. Em resposta, a China restringiu voos para o Japão e proibiu exportações, incluindo minerais críticos, elevando tensões regionais.
Analistas destacam que a estratégia visaria reforçar a doutrina de defesa exclusiva do Japão, já flexibilizada pela maioria das leis de 2015 para proteger forças americanas sob ataque quando houver ameaça à sobrevivência. A discussão também integra a visão de que, se Taiwan cair, a configuração geopolítica do leste asiático mudaria drasticamente, reduzindo a credibilidade de aliados dos EUA.
Especialistas observam que, para que tal compromisso se torne viável, pode ser necessária coordenação próxima com Washington, incluindo garantias de defesa de Taiwan e aceleração de fornecimento de armamentos. Observam ainda que simulações de guerra indicam dificuldades para a defesa sem o apoio de outros atores, reforçando a ideia de que a atuação não deve ocorrer isoladamente.
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