- O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, informou ter ordenado ao exército ocupar 70% do território de Gaza, dez pontos acima do que já controla e quase 20 acima do definido pelo acordo de alto fogo vigente.
- A declaração ocorreu em um evento público na Cisjordânia, com risadas da plateia, e Netanyahu abriu a possibilidade de retomar, no futuro, o controle de toda a Faixa de Gaza.
- Cerca de 30% de Gaza permanece sob controle do governo de Hamás, abrigando mais de dois milhões de pessoas em condições precárias.
- O acordo de alto fogo estabeleceu a Linha Amarela como fronteira interna, deixando cerca de 52% sob controle israelense; a expansão atual, analisada por imagens de satélite, gira em torno de 65%.
- O anúncio ocorre em meio a intensificação de bombardeios em Gaza (veículo de 22 mortes nas últimas 48 horas) e ao risco de uma nova ofensiva, com Hamás rejeitando o desarmamento; houve também ataques a líderes de Hamás, incluindo mortes de oficiais militares.
Benjamin Netanyahu anunciou que ordenou ao Exército de Israel ocupar 70% do território de Gaza, superando em 10 pontos percentuais o espaço já sob controle e quase 20 pontos além do que consta no atual acordo de alto fogo. A declaração foi feita em um evento público em um assentamento na Cisjordânia, em meio a risadas da plateia. A autoridade não especificou quando a meta deverá ser alcançada, mas indicou que o 70% é o próximo passo.
Segundo o premiê, o controle atual estaria em torno de 60% da faixa. A fala ocorreu em público, com a plateia fazendo coro ao objetivo de chegar ao total controle, o que representa uma ruptura com o acordo vigente desde outubro. A zona visada fica desocupada e degradada pela destruição de infraestrutura, com parte da população em condições de extrema vulnerabilidade.
Até agora, o acordo de alto fogo estabelece uma fronteira interna conhecida como Linha Amarela, que separa áreas sob controle israelense de Gaza. O restante da região, estimado em cerca de 48 a 52%, é considerado sob administração de grupos palestinos, com Hamás mantendo influência sobre a maior parte da população, que vive em condições precárias.
Avanços no terreno e alterações na distribuição de controle
Ao longo das últimas semanas, o Exército israelense já deslocou blocos de cimento usados para marcar a fronteira, seguido pela delimitação de uma segunda área restrita marcada em laranja. Somadas, estimativas com base em imagens de satélite indicam que o total de território sob influência israelense pode chegar a cerca de 65%.
Essas mudanças ocorrem em meio a intensificação de bombardeios na região. Nos últimos dias, repetidos ataques deixaram parte da população sob risco de deslocamento, com danos a infraestrutura civil e prédios residenciais. A escalada ocorre em meio ao endurecimento da postura de Israel diante de feedbacks políticos e operacionais de seus aliados regionais e internacionais.
Reação internacional e supervisão do cessar-fogo
Mesmo com a ampliação do controle, o órgão internacional encarregado de acompanhar o cessar-fogo permanece em silêncio. A Junta de Paz, liderada por um eventual grupo de mediadores internacionais, tem enfatizado a necessidade de Hamás desarmar. A expansão territorial ocorre sem a devida confirmação formal da supervisão de alto fogo, elevando dúvidas sobre a aplicação do acordo.
No contexto, houve relatos de retaliação com ataques a alvos de alto escalão dentro de Hamás, incluindo mortes seletivas de líderes militares. As operações continuam em meio a riscos de uma nova ofensiva terrestre, enquanto oficiais locais e organizações humanitárias alertam para a deterioração da situação humanitária em Gaza.
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