- O conflito entre as Forças Armadas do Sudão e a milícia Rapid Support Forces (RSF) persiste, deslocando cerca de 14 milhões de pessoas, com mais de 4 milhões buscando refúgio em outros países.
- A RSF declarou um governo paralelo em Nyala, criou um Conselho de Segurança e Defesa e chegou a anunciar uma nova moeda, aumentando o risco de desintegração do país.
- O governo americano atua para classificar a RSF como organização terrorista estrangeira, para dificultar apoio e pressionar a negociação, alegando crimes contra civis.
- As ofensivas atingem civis, hospitais e acampamentos de deslocados, enquanto o SAF busca retomada de controle e uma transição para governo civil, o que pode levar anos.
- Há precedentes de uso de licenças humanitárias em designações similares para mitigar impactos, e a medida pode pressionar parceiros regionais, especialmente os Emirados, a influenciar o desbloqueio de negociações.
O conflito no Sudão completa quarto ano sem perspectiva de solução. Desde abril de 2023, a guerra entre o exército e as RSF (Forças de Apoio Rápido) forçou quase 14 milhões de pessoas a deixarem suas casas, com mais de 4 milhões buscando refúgio no exterior. A atenção internacional se mantém baixa, mesmo com a escalada da violência e a crise humanitária.
O território central de Kordofan, com minas de ouro, agricultura e goma arábica, alterna o controle entre as forças armadas sudanesas e as RSF. A presença do grupo em parte do país complica a administração de Khartoum e o esforço por normalização.
O SAF busca unificar o país, retomar Darfur e expulsar as RSF para o Sahel. A empreitada, porém, pode levar anos e agravar o sofrimento humano, especialmente em Darfur, onde a população já enfrenta violência e carência de serviços.
Em Nyala, Darfur, as RSF anunciaram um governo paralelo e prometeram imprimir moeda própria e licenciar bancos. No mês passado, criaram um Conselho de Segurança e Defesa que sinaliza a formação de um exército rival, aumentando o risco de fragmentação.
A comunidade internacional tem pressionado por respeito à soberania territorial do Sudão. O Quinteto, que reúne a União Africana, UE, ONU, IGAD e Liga Árabe, condenou estruturas paralelas de governo. Washington avalia como lidar com a situação sem agravar a crise humanitária.
Relatórios dos últimos anos apontam que as RSF respondem pela maior parte das violações contra civis, incluindo ataques a bairros e ataques aéreos a alvos civis. O SAF também é acusado de bombardeios indiscriminados e prisões arbitrárias, gerando consenso internacional limitado sobre responsabilidades.
A designação da RSF como organização terrorista é tema central de debate. Defensores argumentam que poderia frear a consolidação de poder do grupo e pressionar aliados regionais, especialmente indícios de atuação com apoio de redes na região do Golfo. Críticos alertam para riscos humanitários e atrasos em ajuda.
Observadores destacam que a RSF não controla o país inteiro nem é reconhecida como governo, o que complica a comparação direta com o modelo de Estado sponsor de terrorismo. Ainda assim, há consenso de que as ações do grupo configuram violência contra civis com objetivos políticos.
Estados Unidos já ampliaram o uso de designações de organizações terroristas, buscando impacto estratégico sem destruir operações humanitárias. Licenças humanitárias em casos semelhantes mostraram que é possível manter ajuda essencial enquanto se impõe custos ao grupo violento.
A proposta de designação da RSF como FTO (Foreign Terrorist Organization) visa pressionar o UAE a cortar vínculos com o grupo, aproximar o exército sudanês de negociações e, no fim, buscar uma transição para governo civil. A medida, no entanto, suscita cautela quanto aos efeitos sobre a ajuda humanitária.
Analistas ressaltam que a designação não deve prejudicar a assistência à população. Em recentes exemplos, licenças temporárias permitiram manter operações humanitárias, mesmo com medidas de combate a entidades terroristas. O debate permanece aberto entre segurança, política externa e proteção de civis.
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