- Grattan Institute aponta que regras de estacionamento geram 86 mil vagas desnecessárias no próximo quinquênio, elevando custos em 5,2 bilhões de dólares.
- Cerca de 40% das vagas sob apartamentos na Austrália ficam vazias, e o relatório defende abolir o requisito mínimo de vagas por quarto em novas construções.
- Em Sydney, por exemplo, um apartamento de um quarto precisa, em média, de 0,6 vaga; ao todo, muitos lares sem carro pagam pelos espaços que não utilizam.
- A proposta visa eliminar regras de estacionamento, aumentar a oferta de moradias, reduzir custos de construção e, principalmente, baixar aluguéis nas faixas mais baixas.
- Recomendações apontam que governos estaduais intervenham para restringir o poder de bairros e permitir o unbundling — venda ou aluguel separado da vaga de estacionamento — com eventuais mudanças em regras de condomínio.
Australia poderá economizar US$ 5,2 bilhões e reduzir aluguéis ao não construir 86 mil vagas de estacionamento em carros nos próximos cinco anos, aponta estudo do Grattan Institute.
Dados do relatório indicam que cerca de 40% das vagas sob apartamentos ficam vazias. Ainda assim, regras de planejamento mantêm a construção de vagas excedentes.
A pesquisa recomenda reformar regras de planejamento com urgência, inclusive extinguindo a exigência de vagas mínimas por quarto em empreendimentos novos. Em Sydney, por exemplo, um apartamento de 1 quarto exige em média 0,6 vaga.
Além disso, o Grattan aponta que o custo da construção é impactado. Em Sydney, Melbourne, Brisbane, Perth e Adelaide, as vagas excedentes elevam o preço de unidades de dois quartos em faixa que varia de US$ 62 mil a US$ 137 mil.
A equipe do Grattan afirma que a disponibilidade de vagas elevadas reduz a lucratividade para construtoras, o que diminui a oferta de moradias e pressiona os preços de aluguel. A retirada das regras poderia favorecer, principalmente, famílias com menor capacidade de pagamento.
Substituir as regras atuais daria mais espaço para construção de moradias, com redução potencial de aluguéis na ponta mais baixa. O relatório aponta ainda que parte das regras é dificultosa para o lucro dos empreendimentos.
Propostas de reforma e impactos
O estudo sugere que governos estaduais atuem para restringir o poder das alcaldias locais de impor exigências de estacionamento. Em Nova Zelândia, a mudança ocorreu em 2020 como referência internacional.
Especialistas citados pelo Grattan defendem tornar o custo do estacionamento mais transparente, ou seja, separar o preço da vaga do custo total de aluguel ou compra do imóvel. O mercado já mostra sinais de desaglomento, com apps que permitem alugar vagas não utilizadas.
O relatório incentiva a unbundling das vagas de estacionamento, com a possibilidade de compra ou aluguel independentes do imóvel. Para isso, mudanças em normas de condomínio podem ser necessárias, inclusive em regras de chaves de acesso a garagens.
A análise cita também que mudanças de zoneamento, como flexibilizar a construção de edifícios com mais andares, são parte do conjunto de medidas para ampliar a oferta de moradias e reduzir custos com estacionamento.
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