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Estudo revela história de crianças descartadas em Florença

Revisão histórica do Ospedale degli Innocenti revela pioneirismo na proteção de crianças abandonadas e na medicina pediátrica

Terracotta bas-relief bambini by Andrea della Robbia have become the emblem of the Ospedale degli Innocenti
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  • O livro reavalia o Ospedale degli Innocenti, o primeiro hospital para acolhimento de crianças de abandono na Europa, criado em Florença com a herança de Francesco Datini de mil florins, em nome da caridade.
  • O hospital recebeu, entre 1445 e até a década de 1970, quase 400 mil crianças, muitas abandonadas por mães solteiras em situação de pobreza e vergonha social.
  • A instituição não era apenas um orfanato; tornou-se uma obra pública de assistência, mantendo, ao longo dos séculos, arquivos com histórias sensíveis de infância.
  • Destacam-se a loggia de Brunelleschi e a prática de transferência de recém-nascidos pela roda (ruota), além de acervo artístico com obras de Ghirlandaio e Della Robbia que marcavam a missão da casa.
  • O estudo aborda educação, gênero e mudanças ao longo dos séculos, desde a fundação até a modernidade, incluindo avanços em medicina infantil e direitos da criança, com a cidade abrindo caminho para um museu e centro de pesquisa em 1986.

O livro The Innocents of Florence: The Renaissance Discovery of Childhood revisita a história do Ospedale degli Innocenti, primeiro hospital de bofos da Europa, em Florença. A obra reconstitui a trajetória da instituição, fundada em 1419 com o legado de Francesco Datini, comerciante prates, que destinou 1.000 florins para amparar crianças abandonadas.

A reavaliação, de Joseph Luzzi, professor de literatura, destaca que o hospital recebeu cerca de 400 mil crianças até a década de 1970. Embora alguns fossem órfãos, muitos ocuparam esse espaço por pobreza ou vergonha associada à condição de mãe solteira. Muitas crianças eram deixadas com tokens de identificação com a intenção de retorno.

Luzzi organiza a obra em oito capítulos, cobrindo contexto histórico, protagonistas e casos de crianças preservados nos arquivos do Innocenti. O texto analisa a fundação, a construção da loggia de Brunelleschi, e a evolução de práticas administrativas sob os prioretes Tesori e Borghini.

Primeiros anos e arquitetura

Os capítulos iniciais tratam da fundação, do papel da guilda dos Tecelões de Seda e da intervenção de Brunelleschi, que desenhou a loggia dominante na praça Santissima Annunziata. O espaço simbolizou uma transição de caos para ordem, segundo o autor, para as crianças acolhidas.

Abordagens e artes plásticas

Na sequência, o livro descreve a expansão do acervo artístico para comunicar a missão do Innocenti. Obras como a Adoração dos Magos, de Ghirlandaio, e os bambini em cerâmica de Della Robbia passaram a acompanhar as ações de cuidado e educação oferecidas.

Educação e gênero

As informações mostram programas educativos para meninos que foram além da alfabetização, incluindo humanidades, música e desenho. Ao abordar as meninas, o texto destaca dilemas de gênero da época e as diferentes perspectivas de adoção, serviço doméstico ou retorno à instituição.

Transição e século XIX

Os capítulos finais discutem o papel do Innocenti como polo de desenvolvimento de medicina infantil e cuidado materno no século XIX, além de contribuir para a formação de identidade nacional após a unificação italiana em 1861. Em 1986, o prédio histórico tornou-se museu e centro de pesquisa.

Luzzi encerra ressaltando a importância do Innocenti como pioneiro no cuidado de crianças abandonadas, significando uma referência em arte, medicina e proteção infantil. A obra tem 240 páginas, com ilustrações, e foi publicada pela W. W. Norton & Co em 2025.

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