- Observadores civis continuam a acompanhar ações de agentes de imigração em Minneapolis, enfrentando riscos de prisão e violência, em meio a investigações sobre brutalidade desde o início da operação Metro Surge em dezembro.
- Brandon Sigüenza e Patty O’Keefe foram detidos após observarem a ação de ICE; agentes quebraram as janelas do carro, expulsaram-no e o levaram para o prédio federal Whipple, onde ficaram detidos por horas antes de serem liberados.
- Outros observadores relataram uso de táticas agressivas, como irritantes químicos e prisões arbitrárias; RM, pessoa trans, afirmou ter tido a mão esmagada e ficar sem água por mais de uma hora para limpar os irritantes.
- Advogados dizem que o DHS nega acesso a advogados e médicos a detidos em Whipple; uma ação coletiva busca impedir privações de comunicação confidencial entre detidos e seus representantes legais.
- Ainda que haja mortes recente de civis durante operações, como dois mortos em Minneapolis, os observadores ressaltam a importância de documentar para mostrar o que ocorre, enquanto o DHS afirma ter seguido o treinamento e usado a força mínima necessária.
Brandon Sigüenza e Patty O’Keefe, observadores civis, seguiram nesta semana agentes do ICE após receberem alerta sobre uma operação na área de Minneapolis. Um agente abordou o carro deles, despejou irritantes e ordenou que saíssem, momento em que o motorista foi puxado para fora e empurrado contra o veículo. Os dois foram levados a uma delegacia federal, removidos em veículos separados e liberados horas depois.
A dupla, formada por cidadão americano e colega de observação, ocupou posição para registrar a atuação de fiscalização migratória, mesmo diante de relatos de violência contra pessoas presentes no local. Relatos de oscilação entre detenção sem acusações e acesso limitado a serviços médicos surgem de observadores que passaram por Whipple, prédio federal próximo a Minneapolis.
Na sequência de um episódio grave, cujas consequências ainda repercutem, observadores afirmam que a repressão aumentou após as mortes de duas pessoas por atuação de agentes federais. Os relatos indicam uso de equipamentos considerados menos letais, como irritantes químicos e projéteis, contra testemunhas.
RM, outro observador, relatou ter tido o carro atingido por vidro dianteiro, sido algemado, imobilizado de forma dolorosa e mantido por horas sem água para limpar o irritante. A assistência médica só foi disponibilizada muitas horas depois, após a detenção, sem acusações formais.
A entidade responsável pela segurança pública, o DHS, afirmou que a atuação foi necessária para proteger autoridades, público e propriedade federal, descrevendo que houve ataques de indivíduos considerados violentos. O DHS não detalhou medidas específicas ou respondeu sobre o tratamento de RM e de outros observadores.
Jac Kovarik, que atua há meses como voluntário, disse ter sido alvo de intimidação, com abordagens que incluíram registro de imóveis e de veículos. Em uma ocasião posterior, parceiros de Kovarik relataram terem sido impedidos de retornar a casa durante patrulhas.
Advogados consultados pelo Guardian informaram que o DHS tem dificultado o acesso de advogados a clientes detidos no Whipple. Uma ação coletiva, movida nesta semana, questiona a prática de restrições a contatos confidenciais entre detidos e seus representantes legais em instalações como Whipple.
Sigüenza, que conseguiu contato com um advogado, relatou que a sala de reunião não fechava com firmeza, permitindo que agentes acompanhassem a conversa. Outros relatos indicam que agentes monitoraram dispositivos usados pelos detidos e registraram informações pessoais.
Entre os casos adicionais, Tippy Amundson e Heather Zemien, moradoras de Brooklyn Park, também foram alvo de abordagem de agentes durante patrulha e acabaram detidas, mesmo após ajudarem um agente que sofreu convulsões. O grupo foi liberado horas depois, com uma citação por obstrução a agentes federais.
Organizações de defesa dos direitos humanos informaram que há dificuldades contínuas de acesso a clientes detidos e que a Whipple se tornou ponto central de operações de fiscalização migratória na região. A situação leva a questionamentos sobre supervisão, transparência e tratamento de observadores civis em operações federais.
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