- A família Nassár mantém, desde 1916, a posse de 42 hectares perto de Nahalin, no West Bank, registrando o título ao longo de várias administrações.
- Em 1991, autoridades israelenses declararam a fazenda como “terra do estado”, começando uma longa batalha jurídica que ainda não terminou.
- O terreno fica em Área C, sob controle militar, sem acesso a água ou energia, e a família vive em cavernas, cultivando oliveiras com poucos recursos.
- A fazenda enfrenta ataques de asentamentos e ações de colonos, incluindo destruição de árvores e da colheita, mantendo uma das disputas legais mais longas da região.
- Voluntários internacionais participam do projeto Tent of Nations desde 2000 para ajudar no cultivo e na proteção da terra, muitas vezes irrigando manualmente milhares de olivos.
Daoud Nassar e a família enfrentam há décadas a tentativa de transformar a fazenda deles, na Margem Ocidental, em terra estatal. Em 1916, Daher Nassar adquiriu 42 hectares perto de Nahalin e registrou com autoridades otomanas. O título passou de pai para filho ao longo do tempo.
Desde 1991, autoridades israelenses passaram a contestar a posse, declarando a área como terra do estado. O processo, que envolve tribunais militares e a Suprema Corte, ainda não tem data de solução. A família luta para manter o uso da terra.
A fazenda fica na Área C, sob controle militar e civil de Israel, onde novas construções exigem permissão que quase nunca é concedida. A Nassars cultivam sem água ou energia constante, vivendo em cavernas.
O que está em jogo
A defesa do território é central para a família. O acesso à água foi cortado em 1991, e o fornecimento de energia ficou comprometido, levando a soluções como um sistema solar. A área é alvo de assentamentos e de ações de despejo.
Daoud, hoje com 55 anos, herdou o terreno juntamente com irmãos e irmãs. Para ele, a terra é um legado que não pode ser vendido, transmitido de geração em geração para evitar que seja cedido ou tomado.
O papel do projeto Tent of Nations
Desde 2000, centenas de voluntários ajudam na lavoura, especialmente com a irrigação de milhares de oliveiras. Itália, Reino Unido, França e outros países enviam pessoas que trabalham ao lado da família para manter a plantação.
Voluntários dormem nas cavernas onde os Nassars vivem, e uma capela foi inaugurada em uma dasto formadas. A presença externa atua como proteção simbólica e apoio logístico diante de ataques de colonos.
Desafios e contexto
O confronto inclui ataques de colonos, destroços de infraestrutura e tentativas de desapropriação. Em 2002, mais de 250 oliveiras foram arrancadas; em 2014, a colheita de damascos foi destruída. A persistência do litígio é marcada por constantes recursos.
Especialistas ressaltam que a prática de registrar terras de forma deficiente, aliada à natureza administrativa da área, facilita a classificação de terrenos como terra do estado, reforçando disputas longas.
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