- A Trafigura foi escolhida pela Casa Branca para atuar na comercialização do petróleo venezuelano confiscado, intermediada pela Trafigura e pela Vitol, com operações sediadas na Suíça.
- A primeira venda rendeu 500 milhões de dólares, cujo dinheiro foi depositado em contas no Catar sob controle dos EUA; o governo americano tem a última palavra sobre o uso dos recursos.
- A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou que 300 milhões de dólares seriam destinados ao país, mas diplomatas disseram que os fundos foram carimbados por Washington para estabilizar a moeda local.
- A Trafigura possui um histórico de involving em escândalos, incluindo casos de suborno na Suíça e acordos no Brasil vinculados à Operação Lava Jato; a trader já enfrentou investigações e multas anteriores.
- O processo tem recebido críticas e demandas de transparência de congressistas democratas e até de alguns republicanos, que questionam auditoria, interesses financeiros e a presença de barcos militares na costa caribenha.
O governo dos Estados Unidos escolheu a Trafigura, trader sediada em Genebra, para intermediar a venda do petróleo venezuelano apreendido após o sequestro de Nicolás Maduro. A operação é supervisionada pela administração de Joe Biden, com a maior parte do controle financeiro mantida em contas administradas pelas autoridades norte-americanas no Catar. A primeira venda, anunciada como parte da estratégia de contenção, gerou arrecadação de 500 milhões de dólares.
Segundo a Casa Branca, o dinheiro das transações fica sob supervisão direta do governo dos EUA, com o objetivo declarado de beneficiar o povo venezuelano. Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela, afirmou que 300 milhões de dólares seriam destinados ao país, mas diplomatas disseram que os recursos teriam sido designados para estabilizar a moeda local. Não há auditoria independente sobre esses fluxos.
A operação e os atores
A Trafigura atua como intermediária na transação, ligada à Vitol, outra trader internacional. Em comunicado de 9 de janeiro, a Trafigura citou a logística e o marketing para facilitar a venda do petróleo venezuelano a pedido do governo dos EUA, ressaltando a escala de sua rede global de navios. A associação com a Vitol envolve um executivo que doou milhões de dólares à campanha de Trump, levantando questões sobre transparência.
Histórico da empresa e desdobramentos
A Trafigura já esteve envolvida em casos de suborno no passado, reconhecidos pela Justiça suíça e por acordos com autoridades brasileiras. Em 2025, a empresa enfrentou sanctiones relacionados a contratos de Angola. Mesmo com esse histórico, a corretora foi escolhida para atuar no mercado venezuelano, que voltou a abrir negócios com investidores privados.
Em 25 de janeiro, uma embarcação partiu do porto de José, em Anzoátegui, levando petróleo venezuelano para a Louisiana, marcando o retorno operacional das exportações diretas aos EUA. Nos dias seguintes, a Trafigura indicou à imprensa internacional estar explorando oportunidades adicionais de venda, incluindo remessas futuras à China e à Índia, com entregas programadas para março.
Reações políticas e econômicas
A operação gerou debates entre membros do Congresso e representantes de oposição, que demandam maior transparência sobre interesses financeiros ligados ao petróleo venezuelano. Parlamentares questionam a presença de ativos e a possível participação de setores do governo em ganhos obtidos com as exportações. Em resposta, a Casa Branca afirmou que as ações visam combater o petróleo “roubado” e proteger os interesses nacionais, sem oferecer detalhe adicional sobre a legalidade das transações.
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