- A missão de paz da ONU na República Democrática do Congo vai enviar sua primeira equipe para monitorar o cessar-fogo entre o governo congoleño e o grupo rebelde AFC/M23, em Uvira, na região leste do país.
- Uvira foi capturada pelos combatentes AFC/M23 em dezembro e retomada pelas forças congoleñas e milícias aliadas no mês passado, devolvendo o controle ao governo.
- O avanço ocorre após negociações diretas mediadas por Doha entre o Congo e AFC/M23; Washington realiza, em paralelo, conversas entre Congo e Ruanda.
- Doha informou que Congo e AFC/M23 concordaram com termos de referência detalhados para o mecanismo de monitoramento do cessar-fogo, criado em outubro, e reafirmaram o compromisso dentro do acordo abrangente de paz assinado em novembro.
- No fim de semana, drones com explosivos teriam visado o aeroporto de Kisangani, cidade no nordeste do Congo, caso tenha sido operação do AFC/M23.
O objetivo da missão de paz da ONU é monitorar o cessar-fogo entre o governo da República Democrática do Congo e o grupo rebelde AFC/M23. O anúncio foi feito pelo ministério das Relações Exteriores do Catar após as conversas em Doha.
A equipe da ONU será enviada a Uvira, cidade estratégica no leste do país, tomada pelos combatentes AFC/M23 em dezembro e retomada pelo Exército congolês e milícias aliadas no mês passado.
Alguns dos termos do acordo foram acordados em Doha, com a monitoração do cessar-fogo estruturada sob um mecanismo criado em outubro.
Progresso nas negociações e enquadramento
O Catar informou que Congo e M23 concordaram com termos de referência detalhados para o mecanismo de monitoramento, dentro do acordo de cessar-fogo. As partes também reiteraram compromissos no marco maior do acordo de paz assinado em novembro.
O avanço ocorre enquanto ainda há confrontos no leste do Congo, com ataques recentes envolvendo drones explosivos contra o aeroporto de Kisangani. Autoridades locais atribuíram os ataques ao grupo M23, caso ainda não confirmado.
Contexto regional e impactos
Os debates em Doha acontecem paralelamente a negociações com os Estados Unidos, que organizam conversações separadas entre Congo e Ruanda. Nove meses atrás, a ONU e potências ocidentais apontaram apoio de Ruanda ao M23, uma acusação Kigali nega.
Caso confirmada, a operação de monitoramento seria a extensão mais a oeste da ofensiva do M23 contra Kinshasa, ampliando o papel da ONU no monitoramento do cessar-fogo.
A missão manterá atualizações sobre a implementação do acordo e os desdobramentos na região oriental, onde o conflito tem impactos humanitários significativos.
Entre na conversa da comunidade