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Quem defende que o Hezbollah permaneça armado?

Pesquisa indica que a oposição à desarmamento do Hezbollah resulta de desconfiança generalizada no governo libanês, não apenas de fidelidade sectária

A man walking through the rubble of a building damaged by an Israeli air-strike while holding a Hezbollah flag in Beirut’s southern suburb of Dahieh on April 18.
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  • Pela primeira vez desde 1993, Líbano e Israel mantêm conversas diretas, com a questão de Hezbollah e seu arsenal dominando a agenda.
  • Estudo com mais de dois mil libaneses aponta que 18% aprovam Hezbollah politicamente, mas 45% resistem à desarmamento do grupo.
  • Três explicações dominam o debate: sectarismo, prestação de serviços do grupo e segurança; porém, o maior fator é o descontentamento moral com o governo.
  • Em áreas de Hezbollah, especialmente no sul e no vale de Bekaa, resistência ao desarmamento passa de 70%.
  • Conclusão: a desarmamento depende de legitimidade do Estado e de uma visão nacional que os cidadãos reconheçam como justa, não apenas de pressões externas.

Foram divulgados novos dados que mostram que o apoio popular à permanência do Hezbollah armado no Líbano não está condicionado apenas pela fidelidade sectária, mas por queixas contra o Estado. O estudo, concluído em dezembro de 2025 pelo programa XCEPT de King’s College London, ouviu mais de 2.000 cidadãos e realizou 300 entrevistas aprofundadas.

O trabalho revela que apenas 18% dos libaneses apoiam politicamente o Hezbollah, enquanto 45% resistem ao desarmamento. A pesquisa busca entender por que pessoas com pouco apoio político ao grupo costumam defender a manutenção das armas.

Além de fatores sectários, três explicações dominam o debate sobre a força do Hezbollah. A primeira é a identidade religiosa e social dentro da comunidade xiita, que eleva o apoio entre quem tem vínculos fortes com esse grupo. A segunda aponta o papel do Hezbollah como fornecedor de serviços, mas os dados mostram que isso não explica sozinha a oposição ao desarmamento.

Descontentamento com o governo

A explicação mais poderosa, segundo o estudo, não é a segurança nem os serviços: são as queixas morais contra o governo. Quem perdeu confiança no Estado e percebe injustiças tem 29 pontos percentuais a mais para se opor ao desarmamento, independentemente de credo, renda ou exposição à violência.

Entre os exemplos citados estão a falta de fairness procedimental, a percepção de favoritismo político na distribuição de recursos e a demora em investigar tragédias como a explosão no Porto de Beirute. A sensação de corrupção cotidiana também alimenta a desconfiança.

Regiões-chave e impactos

Em Beirute-Sul e no Vale do Bekaa, áreas onde o Hezbollah tem forte presença, a oposição ao desarmamento supera 70%. Em Akkar, no norte, onde há menos apoio ao Hezbollah, 41% se opõem ao desarmamento, evidenciando que fatores locais de abandono estatal pesam mais que a segurança.

O estudo aponta que a desarmamentar não depende apenas de ações externas, como sanções ou ajuda condicionada, mas de uma mudança na relação entre o Estado e a população. A construção de credibilidade pública aparece como condição essencial para avançar o tema.

Implicações para política externa e interna

Os autores argumentam que a doutrina de recompensa e punição adotada por EUA e aliados pode não alcançar o objetivo desejado se não houver legitimidade do Estado libanês. A percepção de falha governamental emerge como motor central da resistência ao desarmamento.

Enquanto as negociações entre Líbano e Israel avançam de forma direta pela primeira vez desde 1993, o Hezbollah sinaliza resistência ao desarmamento, independentemente do andamento diplomático. A ênfase do estudo é clara: sem uma visão estatal unificada que restitua legitimidade, o desarmamento tende a permanecer frágil.

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