- O Departamento de Estado dos EUA designou o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas internacionais, uma decisão tomada em 28 de maio.
- O governo brasileiro, liderado pela era Lula, era contra a medida, argumentando que poderia violar a soberania nacional e a legislação brasileira sobre terrorismo.
- A decisão ocorreu dias após Flávio Bolsonaro, então pré-candidato, retornar de uma viagem a Washington e defender publicamente a designação.
- O governo brasileiro pretende responder de forma contida, com reuniões internas para modular a reação e evitar desgaste político, principalmente próximo às eleições, defendendo ações contra o crime organizado e cooperação internacional.
- Preocupa ao Planalto o possível impacto financeiro, incluindo sanções a empresas ou bancos brasileiros por vínculos com as facções, mesmo que involuntários.
O Departamento de Estado dos EUA classificou o Comando Vermelho CV e o Primeiro Comando da Capital PCC como organizações terroristas internacionais. A decisão ocorreu nesta quinta-feira, 28 de maio, em Washington. O gesto vem em meio a um histórico de tensões entre Brasília e a administração de Donald Trump e foi visto como derrota para o governo Lula na pauta de cooperação internacional com os EUA.
O governo brasileiro se opunha à medida, argumentando que poderia violar a soberania nacional e ferir a legislação interna que distingue criminalidade comum de terrorismo. O Palácio do Planalto pesquisava caminhos para evitar danos ao Brasil no âmbito econômico e diplomático.
A posição de Flávio Bolsonaro, líder do PL-RRJ e pré-candidato, foi crucial para a narrativa temporal, com o senador defendendo a medida após encontros com Trump e membros do governo americano. O contexto envolve também a percepção de que grupos vinculados ao bolsonarismo teriam atuado para pressionar a Casa Branca.
Resposta brasileira
A BBC News Brasil apurou que o governo pretende modular a resposta para minimizar desgaste político e interno, com anúncio oficial previsto para ocorrer após reuniões entre Ministério das Relações Exteriores, Presidência e eventualmente a Fazenda. A ideia é manter cooperação internacional no combate ao crime organizado.
Uma fonte do governo afirmou que a decisão dos EUA é vista como reflexo de ações da ala bolsonarista com acesso a Washington. Segundo a avaliação, isso teria causado constrangimento ao governo petista e gerado críticas por defender facções criminosas.
Além disso, há preocupação com impactos no sistema financeiro, já que sanções a empresas ou bancos com vínculos, mesmo que indiretos, poderiam afetar o mercado brasileiro. O MRE e o Planalto não comentaram formalmente o assunto até o momento.
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