- O Peru realiza neste domingo a eleição do nono presidente em menos de uma década, em meio à crise política que já levou à renúncia ou destituição de vários mandatos desde 2016.
- No segundo turno, disputam Keiko Fujimori, direita, e Roberto Sánchez Palomino, esquerda; Fujimori teve 17,1% dos votos e Sánchez 12,0% no primeiro turno.
- Analistas apontam polarização entre apoiadores de Fujimori e o anti-Fujimorismo representado por Sánchez, que pode mobilizar votos de setores insatisfeitos com o status atual.
- O histórico recente inclui a destituição de ex-presidentes e prisões, como de Pedro Castillo e de Dina Boluarte, além de crises envolvendo o Parlamento peruano, considerado poder de fato no país.
- A eleição pode influenciar a geopolítica regional, com debate sobre alinhamento maior com os Estados Unidos; o resultado pode não romper totalmente com governos de direita na região, segundo especialistas.
O Peru realiza neste domingo a segunda rodada da eleição presidencial que define o nono presidente em dez anos de crise política. Serão enfrentados Keiko Fujimori, da direita, que teve 17,1% no primeiro turno, e Roberto Sánchez Palomino, da esquerda, com 12,0%. A disputa ocorre em meio a instabilidade institucional no país.
A polarização em torno da figura de Fujimori é citada por analistas como fator central do pleito. A defesa de um governo de linha dura convive com o receio de continuidade de um ciclo de confrontos entre o Congresso e o Executivo. A vitória de Sánchez é vista, por sua vez, como oportunidade de ampliar o espaço a setores críticos ao legado fujimorista.
Roberto Sánchez, aliado do ex-presidente Pedro Castillo, propõe reforma constitucional para renovar a Carta Magna herdada do período anterior e ampliar direitos sociais. A candidatura dele também busca representar o eleitorado do interior, historicamente menos presente nas pesquisas.
O ex-presidente Castillo foi destituído após tentativa de dissolver o Parlamento e continua preso. Seu caso, que alimenta o debate sobre o papel do Legislativo, influencia o cenário eleitoral, com apoiadores alegando perseguição política e oposição destacando a instabilidade institucional no país.
Geopolítica regional: a eleição peruana pode influenciar alinhamentos na região. Analistas sugerem que a vitória de Fujimori tenderia a aproximações mais estreitas com os Estados Unidos e forças de direita na América do Sul. Já a vitória de Sánchez não indica ruptura automática com Washington, dada a fragilidade de governos progressistas na região.
O histórico recente de presidências peruanas é marcado por crises. O último mandato concluído foi de Ollanta Humala (2011-2016), seguido por casos de condenação de ex-líderes por crimes de corrupção envolvendo obras da Odebrecht. A conjuntura abre espaço para mudanças institucionais, ainda sem definição.
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