- Estudo da Kinea Investimentos, com dados do IBGE, Banco Central, World Bank e Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, aponta maior endividamento e menor poder de compra da classe média brasileira.
- Entre 1981 e 2024 o Brasil cresceu, em média, 2,2% ao ano; o ganho per capita foi menor, ajudando a explicar ciclos de expansão do consumo seguidos de frustração econômica.
- O período de 2003 a 2013 teve crescimento do consumo impulsionado pela alta de commodities, expansão do crédito, valorização do salário mínimo e estímulos fiscais, permitindo acesso a bens como carro, imóvel financiado e viagens aéreas.
- A recessão de 2014 a 2016 mostrou a fragilidade, com queda do PIB superior a oito por cento e inflação alta; o crédito passou a substituir renda estrutural não suficiente para acompanhar o custo de vida, e o endividamento quase dobrou desde os anos 2000, chegando a 18,9 milhões de pessoas com ativos problemáticos.
- O relatório destaca que cerca de 21% da renda das famílias vem do governo; a transferência de renda ajuda no curto prazo, mas não resolve a baixa produtividade, segundo a comparação com o filme Parasita como metáfora da desigualdade.
O estudo da Kinea Investimentos apresenta um retrato da classe média brasileira com foco em pressão financeira, endividamento e poder de compra. A pesquisa utiliza dados do IBGE, BC, World Bank, OCDE e séries históricas de mercado para sustentar as constatações.
Segundo a análise, o Brasil ampliou o consumo nas últimas décadas sem ganhos proporcionais de produtividade. Em média, o crescimento econômico entre 1981 e 2024 ficou em 2,2% ao ano, com ganhos de consumo acima do ritmo produtivo.
A pesquisa aponta que o ciclo de consumo entre 2003 e 2013 foi impulsionado por alta de commodities, expansão do crédito, valorização do salário mínimo e estímulos fiscais. Milhões puderam acessar bens antes restritos à classe média, como carro financiado e viagem.
O problema destacado é a ausência de aumento consistente de produtividade. A Kinea afirma que o desafio do Brasil não é o consumo, e sim a produção que sustente esse consumo no longo prazo.
Entre 2014 e 2016 houve recessão, com queda do PIB acima de 8% e inflação em dois dígitos. O país perdeu o grau de investimento, e o crédito passou a substituir renda estrutural insuficiente para acompanhar o custo de vida.
O estudo mostra que o endividamento das famílias praticamente dobrou desde meados dos anos 2000 e se aproxima de patamares históricos. Aproximadamente 18,9 milhões de brasileiros apresentam ativos problemáticos com atraso superior a 90 dias.
A renda comprometida por dívidas atingiu máximas, mantendo a inadimplência elevada mesmo com desemprego relativamente baixo. Itens do cotidiano evidenciam a perda de acesso da classe média ao consumo.
De acordo com a análise, cerca de 21% da renda familiar vem de transferências do governo, valor superior ao observado em muitos emergentes como o México. As transferências ajudam no curto prazo, mas não resolvem a baixa produtividade.
Perspectiva de consumo e produtividade
A pesquisa recorta uma metáfora do filme Parasita para explicar o cenário. O Brasil ampliou o acesso ao consumo sem reformular a base produtiva que sustenta esse avanço. O relatório descreve o consumidor endividado como um regime de curto prazo, não apenas um ciclo pontual.
A conclusão aponta que o consumo ampliado esteve vinculado a ganhos de acesso, não a um crescimento estrutural da renda. A gestão de crédito funciona como atalho a renda estável, mas não substitui a necessidade de aumento de produtividade.
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