- A Procuradoria do Distrito Sul de Seul prendeu e indiciou cinco suspeitos no primeiro caso criminal sul-coreano envolvendo um rug pull realizado em uma exchange descentralizada (DEX).
- O golpe envolveu o token CATFI, drenando liquidez e deixando 256 investidores com posições sem valor; o prejuízo total chegou a 900 milhões de won (aprox. $600 mil).
- O principal suspeito, com o sobrenome Park e conhecido online como “Eth Father”, e os associados lançaram a meme coin em uma DEX baseada em Solana, manipulando o ativo com 1.001 vezes de valorização em 26 horas.
- Os organizadores teriam obtido cerca de 400 milhões de won ($260 mil) em lucros ilícitos, enquanto os investidores ficaram com posições inúteis.
- As acusações, conforme o Virtual Asset User Protection Act, marcam a primeira aplicação das cláusulas de conduta injusta contra uma operação conduzida em DEX, incluindo manipulação de mercado e fraude.
A Procuradoria do Distrito Sul de Seul informou a prisão e a indiciamento de cinco suspeitos no primeiro caso criminal brasileiro envolvendo um rug pull em uma exchange descentralizada, na Coreia do Sul. A operação, apurada sob a Virtual Asset User Protection Act, ocorreu após a drenagem de liquidez do pool CATFI, prejudicando 256 investidores que perderam cerca de 900 milhões de won (aproximadamente US$ 600 mil). A ação marca a primeira aplicação das disposições de práticas comerciais injustas da lei a um esquema baseado em DEX.
O principal suspeito, identificado pelo sobrenome Park, atuava como influencer sob o codinome “Eth Father”. Segundo as investigações, Park e quatro cúmplices criaram o meme token CATFI e o lançaram em uma exchange descentralizada baseada em Solana. Eles pré-carregaram carteiras com uma posição dominante antes da campanha de promoção pública.
Com ações de trading circular e wash trades coordenados entre várias carteiras, o grupo elevou o preço do CATFI em 1.001 vezes em 26 horas, atraindo compradores de varejo antes de retirar toda a liquidez. Os operadores teriam lucrado cerca de 400 milhões de won com as operações ilegais, enquanto os investidores ficaram com posições sem valor.
Suspeitos ligados a manipulação de mercado foram presos e indiciados; um deles sem detenção. Dois outros foram acusados por ajudar o grupo a evitar as autoridades, incluindo um caso em que um dos suspeitos supostamente permaneceu disfarçado por três meses para evitar a prisão.
Contexto jurídico e desdobramentos
As autoridades sul-coreanas não atribuíram o caso a exchanges não registradas nem a listagens de tokens, baseando-se em dispositivos de fraude e manipulação de mercado previstos na lei de proteção ao usuário de ativos virtuais. A defesa sustenta que a atuação ocorreu inteiramente on-chain, mas com conclusão no ponto de conversão para fiat em gateways regulados.
Procuradores destacam que, com esse caso, é possível processar condutas on-chain sem necessidade de entidade registrada ou plataforma centralizada. O Ministério Público enfatiza o compromisso de enfrentar atos que abalam o mercado de ativos digitais e a confiança pública.
A investigação utilizou clustering de carteiras, análise de padrões de negociação circular e cruzamento com requisitos de KYC em pontos de venda para saída de fiat. A apuração foi retomada após a FSC reencaminhar o caso, consolidando a reconstrução forense com apoio de autoridades financeiras e fiscais.
O episódio é visto como sinal de que reguladores estão fechando lacunas entre DeFi e supervisão, com a Coreia do Sul avançando para responsabilização em nível de conduta on-chain. Observadores apontam que tratativas regulatórias argentinas de DeFi ganham novo peso no cenário global.
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