- A brasileira Kylie Ellina Truswell‑Mobbs (51) teve a fiança concedida após ser acusada de assassinato por supostamente fornecer um coquetel letal de medicamentos ao marido, que morria de esclerose lateral amiotrófica.
- O casal vivia em Alexandra Hills, perto de Brisbane; David Ronald Mobbs, ex-bombeiro de 56 anos, morreu em dezembro de 2023. Médicos haviam dito que não poderiam aliviar o sofrimento.
- Segundo a acusação, Truswell‑Mobbs administrou os fármacos pela sonda de alimentação para pôr fim à vida; a equipe de cuidados paliativos informou que a retirada da sonda poderia levar a uma morte natural em dias ou semanas.
- A defesa teve a fiança negada em abril de 2025, mas o juiz entendeu que houve mudança de circunstâncias desde a fase de comutação, mantendo restrições como a proibição de falar com testemunhas.
- O julgamento ocorrerá no Supremo de Brisbane, data ainda a ser marcada; a defesa destacou a possibilidade de absolvição ou de condenação por homicídio culposo ou auxílio ao suicídio.
A mulher australiana Kylie Ellina Truswell‑Mobbs foi libertada sob fiança após ser acusada de homicídio por supostamente ter administrado uma mistura letal de medicamentos ao marido, que enfrentava esclerose lateral amiotrófica (ELA). O caso ocorreu na residência do casal em Alexandra Hills, no sudeste de Brisbane, em dezembro de 2023.
David Ronald Mobbs, ex-bombeiro de 56 anos, estava gravemente acometido pela doença desde abril de 2023, conforme registro no tribunal. O tribunal ouviu que, perto do estágio terminal, Mobbs disse ao filho que desejava pôr fim à vida caso a condição o impedisse de usar o banheiro, em função da dignidade e do sofrimento.
O juiz mencionou que médicos informaram a família de Mobbs de que não havia tratamento capaz de aliviar o sofrimento dele no estágio avançado da doença. A defesa argumentou que Mobbs expressou reiteradamente aversão ao sofrimento, o que motivou a ação de Truswell‑Mobbs, que admite ter injetado a substância na sonda de alimentação do marido para pôr fim à vida.
Condições de fiança e próximos passos
Truswell‑Mobbs teve a fiança inicialmente negada em abril de 2025, mas o tribunal entendeu que houve mudança material nas circunstâncias desde a audiência de comutação em fevereiro. Entre as condições, a ré não pode residir com os filhos nem discutir provas com eles, que serão testemunhas.
O juiz destacou que a ré possui reputação exemplar e não tem condenações anteriores, avaliando baixo risco de fuga. Também foi determinado que não há conclusão sobre o resultado do eventual júri, que poderá absolvê-la ou reconhecê-la culpada por homicídio, homicídio culposo ou ajuda ao suicídio.
Mobbs chegou a ficar dependente de cuidados durante o curso da doença, perdendo mobilidade progressiva e, em dezembro, já não falava, comunicando-se por meio de blinques, sons ou quadro de letras. O filho relatou que o atendimento paliativo indicou a possibilidade de interrupção das sondas com manejo da dor para uma morte natural em dias ou semanas, com prazo de nove dias para o processo de suicídio assistido.
Truswell‑Mobbs permanece em custódia há pouco mais de 12 meses. O caso deve retornar ao tribunal superior de Brisbane para a data a ser marcada, quando o mérito deverá ser julgado. As informações são tratadas com base no material apresentado durante as audiências e não incluem opiniões ou conclusões do veículo.
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