- Casal que ficou em um hotel em Shenzhen teve momentos íntimos gravados por uma câmera escondida e as imagens foram compartilhadas em canais de pornografia de câmera escondida.
- Dados da investigação indicam que várias transmissões ao vivo ocorriam em hotéis, com mais de 180 câmeras supostamente ativas em quartos, gerando milhares de vídeos desde 2017.
- Um operador conhecido como “AKA” vendia acesso aos vídeos por cerca de 450 yuans, e havia outros agentes atuando na cadeia de fornecedores, incluindo alguém chamado Brother Chun.
- A BBC identificou uma câmera em Zhengzhou e mostrou que conteúdos eram divulgados via Telegram; mesmo com regras chinesas rígidas, o risco de gravação continua alto.
- O casal segue abalado: eles evitaram hotéis e reduziram o uso de canais, enquanto a BBC estima que o único operador AKA faturou ao menos 163.200 yuans; autoridades e plataformas foram procuradas para remoção, sem resultados consistentes até o momento.
Em 2023, um casal que se hospedou em Shenzhen, no sul da China, descobriu que atos íntimos dentro do quarto foram gravados por uma câmera escondida. As imagens teriam sido disponibilizadas a milhares de pessoas por meio de canais de transmissão ao vivo de pornografia de câmera escondida.
Segundo a investigação da BBC, o material circulou em sites e no aplicativo Telegram, usado por assinantes para acompanhar as transmissões. As gravações exibiam hóspedes em hotéis, com câmeras instaladas sem consentimento. O casal não tinha noção de que era observado.
Eric, nome fictício, viu o vídeo pela primeira vez em 2023, e reconheceu-se junto da namorada Emily. O relógio do quarto, a disposição dos objetos e a sequência de cenas ajudaram a identificar o casal. Ele e Emily relataram trauma e medo de exposição pública.
Como funciona a cadeia de exploração
Entre os agentes que promovem as transmissões está um interlocutor conhecido como AKA, que vendia acessos a streams por cerca de 450 yuans mensais. Assim, assinantes escolhiam entre várias transmissões ao vivo gravadas em hotéis.
A BBC apurou que, ao longo de 18 meses, foram criados canais no Telegram com milhares de membros. Além disso, bibliotecas com vídeos editados estavam disponíveis mediante pagamento único, somando dezenas de milhares de registros desde 2017.
A investigação verificou uma câmera escondida em Zhengzhou, instalada na unidade de ventilação, ligada à rede elétrica. Em resposta, a equipe desativou o equipamento, o que gerou comentários entre assinantes sobre a substituição por outra câmera.
Impactos e resposta institucional
A prática é amparada pela existência de regras rigorosas na China contra pornografia, venda e uso de câmeras escondidas. Autoridades vêm tentando conter o problema com regulações para verificação de hotéis, anunciadas em abril.
Apesar disso, o material segue sendo promovido em redes sociais e serviços de mensagens. A BBC estima que apenas AKA tenha arrecadado pelo menos 163 mil yuans desde abril, com base em assinaturas e atividade de canais.
Especialistas de ONG de Hong Kong destacam dificuldades na remoção de conteúdo. A RainLily afirma que o Telegram não responde a pedidos de remoção, forçando organizações a contatar administradores de grupos.
Reação dos envolvidos
Eric e Emily relatam abalos emocionais e mudanças de comportamento, como evitar hotéis e usar chapéus em público. Eles indicaram não apoiar mais conteúdos desse tipo, embora ainda monitorem a plataforma com precaução.
O Telegram afirmou que o compartilhamento de pornografia sem consentimento é proibido e que a plataforma modera conteúdos prejudiciais, prometendo remover material mediante denúncias. A BBC encaminhou as conclusões aos envolvidos; as respostas foram limitadas.
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