- Tribunal de Justiça do Maranhão decretou a prisão preventiva de oito dos onze vereadores de Turilândia, por descumprimento de medidas cautelares impostas em dezembro de 2025.
- Os vereadores são suspeitos de integrarem esquema de corrupção na prefeitura, potencialmente liderado pelo prefeito Paulo Curió (União Brasil).
- Ministério Público aponta que Curió e familiares ficavam com até 90% dos valores desviados de licitações fraudadas na Área da Saúde, totalizando cerca de R$ 56 milhões.
- A prisão ocorreu após o MP indicar reiterado descumprimento das medidas cautelares, incluindo tornozeleira eletrônica e contato restrito com investigados.
- Turilândia, cidade a cerca de 150 km de São Luís, passou por intervenção estadual anunciada pelo governo do Maranhão.
O Tribunal de Justiça do Maranhão decretou a prisão preventiva de oito dos onze vereadores de Turilândia, no interior do estado, por descumprimento de medidas cautelares impostas em dezembro de 2025. A ação faz parte da Operação Tântalo II, que investiga um esquema de corrupção na prefeitura. O Ministério Público sustenta que o grupo integraria uma organização criminosa liderada pelo prefeito Paulo Curió (União Brasil) e que até 90% dos recursos desviados ficariam com empresas envolvidas em licitações fraudulentas na área da Saúde. O valor apontado chega a 56 milhões de reais.
Os oito vereadores presos nesta quarta-feira são Gilmar Carlos Gomes Araújo (União), Mizael Brito Soares (União), José Ribamar Sampaio (União), Nadianne Judith Vieira Reis (PRD), Sávio Araújo e Araújo (PRD), Josias Fróes (Solidariedade), Carla Regina Pereira Chagas (PRD) e Inailce Nogueira Lopes (União). As medidas cautelares haviam sido adotadas em dezembro de 2025 e previam comunicação apenas dentro da Câmara e proibição de contato com investigados externos, sem exceções de horário.
O pedido de prisão foi feito pelo Ministério Público do Maranhão após a constatação de descumprimento reiterado das medidas. A peça foi encaminhada ao Tribunal por meio do procurador-geral de Justiça, Danilo de Castro, na sexta-feira anterior ao decreto de prisão. A Promotoria aponta que o esquema envolvia venda de notas fiscais por empresas vencedoras de licitações simuladas.
Medidas administrativas e contexto
No dia 23 de janeiro, o Tribunal aprovou por unanimidade uma intervenção estadual no município, a pedido do Ministério Público. No dia 9, o governador Carlos Brandão designou o defensor público Thiago Josino Carrilho de Arruda Macêdo como interventor de Turilândia. A intervenção visa substituir temporariamente a gestão municipal.
Estrutura do esquema e desdobramentos
A segunda fase da Operação Tântalo II, iniciada em 22 de dezembro, prendeu onze vereadores, um secretário, empresários e o prefeito Paulo Curió. No dia 8 de janeiro, todos os vereadores permaneceram em silêncio durante depoimentos, segundo o Ministério Público. Durante as buscas, houve apreensão de grande quantidade de dinheiro vivo, com contagens iniciais superiores a cinco milhões de reais. A investigação aponta que recursos públicos não geraram benefício à população, conforme a denúncia do Ministério Público estadual.
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