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Mendonça ignora pedido da PGR e manda prender Vorcaro

Mendonça manda prender Vorcaro, contrariando a PGR; PF aponta acesso indevido a sistemas e risco a jornalistas, exigindo resposta imediata

Ministro André Mendonça, relator da ação contra o Master, no Supremo Tribunal Federal (STF). (Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF)
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  • O ministro André Mendonça mandou prender o empresário Daniel Vorcaro, após a terceira fase da Operação Compliance Zero, contrariando a solicitação da PGR de mais prazo para análise.
  • A decisão foi baseada em indícios consistentes de crimes graves e risco às investigações, incluindo possível ameaça a vítimas, entre elas jornalistas.
  • A PGR havia pedido dilação de 72 horas para se manifestar, alegando não haver urgência na decretação de medidas cautelares.
  • A PF aponta que Vorcaro financiava uma estrutura de vigilância para monitorar alvos e intimidar pessoas ligadas às apurações, com acesso indevido a sistemas de órgãos públicos.
  • Além dele, são investigados Fabiano Zettel, Luiz Phillipi Mourão e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva; há relatos de planos de intimidar jornalistas.

O ministro André Mendonça, do STF, determinou nesta quarta-feira a prisão preventiva do empresário Daniel Vorcaro, na terceira fase da Operação Compliance Zero. A decisão ocorreu contra o parecer da PGR, que pedia mais prazo para análise e defendia a ausência de urgência na medida.

Segundo Mendonça, há indícios consistentes de crimes graves e risco à continuidade das investigações, além de possível ameaça a vítimas, incluindo jornalistas. O relator indeferiu o pedido de dilação apresentado pela PGR, apontando a necessidade de resposta imediata diante dos elementos já coletados pela PF.

A decisão envolve a apuração de crimes contra o sistema financeiro, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de justiça. Além de Vorcaro, são investigados Fabiano Zettel, Luiz Phillipi Mourão e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, todos sob-coerção e vigilância na operação.

Elementos da investigação

A PF aponta que o grupo manteria uma estrutura de vigilância e coerção para monitorar alvos e intimidar pessoas ligadas às apurações. A prisão visa impedir a continuidade de condutas que possam comprometer a investigação ou colocar terceiros em risco.

Relatório policial traz evidências de acesso indevido a sistemas sigilosos de órgãos públicos, incluindo bases da PF e da Interpol, além de monitoramento de pessoas relevantes para os interesses da organização. Há menções a possíveis ações contra jornalistas.

Reação da Procuradoria-Geral da República

A PGR pediu 72 horas para manifestação após o arquivamento inicial, ressaltando a ausência de perigo imediato que justificasse a medida tão rapidamente. O órgão informou que não poderia concordar com pedidos cautelares sem produção de novas provas.

Mendonça, por sua vez, destacou que as evidências apresentadas pela PF demonstram a gravidade dos ilícitos e a necessidade de atuação rápida para evitar danos à integridade de autoridades e cidadãos. O voto enfatizou a proteção a testemunhas e à própria integridade de investigações.

Contexto da operação

A terceira fase da Compliance Zero investiga uma suposta rede de monitoramento e intimidação para influenciar investigações. A PF aponta que o grupo utilizava dados de sistemas restritos para obter informações de autoridades, jornalistas e outros alvos.

A decisão de prender Vorcaro representa uma intervenção direta para interromper práticas identificadas durante as fases já deflagradas da operação. O desfecho pode influenciar a continuidade das apurações e a proteção de pessoas envolvidas no caso.

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