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Trechos da decisão de Mendonça indicam prisão de Vorcaro

Decisão que prendeu Daniel Vorcaro revela quatro núcleos do esquema do Banco Master, além do grupo de vigilância 'A Turma' e pagamentos de R$ 1 milhão mensais

Banqueiro voltou a ser preso hoje pela PF, na terceira fase da Operação Compliance Zero
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  • O ministro André Mendonça retirou o sigilo da decisão que prendeu Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, com base em investigação da Polícia Federal que aponta quatro núcleos de atuação: financeiro, corrupção institucional, ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro, e intimidação/obstrução de Justiça, além de um grupo de vigilância chamado “A Turma”.
  • A PF afirma que Vorcaro dava ordens diretas para intimidar pessoas, entre elas concorrentes, ex-funcionários e jornalistas, para obstruir a Justiça, com registros de acesso a diligências investigativas.
  • Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, seria o coordinador operacional da “A Turma”, organizada para vigilância, coleta de informações e monitoramento de adversários da organização ligada ao Banco Master, recebendo cerca de R$ 1 milhão por mês.
  • Mourão teria acessado dados sigilosos de órgãos públicos usando credenciais de terceiros, obtendo informações protegidas por sigilo institucional, incluindo dados da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e de órgãos internacionais como FBI e Interpol; houve menções de agressão a um jornalista.
  • Há indícios de atuação de dois servidores do Banco Central: Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, com participação em agendas e estratégias para favorecer o Banco Master, além de interações de Vorcaro sobre viagens a Orlando com a participação de assessores do BC.

O ministro do STF André Mendonça autorizou a retirada do sigilo da decisão que ordenou a prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A informação foi tornada pública após Mendonça divulgar trechos da decisão.

Segundo a PF, o esquema envolvia quatro núcleos de atuação, mais um grupo de vigilância denominado “A Turma”. O objetivo era realizar fraudes no sistema financeiro, cooptar servidores do Bacen, ocultar patrimônio e intimidar adversários.

A investigação aponta ainda o monitoramento ilegal de críticos do grupo, com atuação de uma vigilância privada para obtenção de informações sigilosas. Entre as ordens recebidas, houve instruções diretas para intimidar pessoas ligadas a rivais ou a imprensa.

Núcleos de atuação

O Núcleo financeiro estruturava as fraudes contra o sistema financeiro. O Núcleo de corrupção institucional buscava cooptação de servidores do Banco Central. O Núcleo de ocultação patrimonial usava empresas interpostas. O Núcleo de intimidação visava obstruir a Justiça e monitorar críticos.

A Turma seria responsável por diligências de vigilância, coleta de informações e acompanhamento de adversários. Registros indicam que Vorcaro orientava ações contra concorrentes, ex-funcionários e jornalistas para protegê-lo.

Mensagens obtidas pela PF revelam que Mourão, apelidado de Sicário, coordenava a Turma e recebia cerca de 1 milhão de reais mensais pelo serviço. Em diálogos, Mourão indica repassar valores a integrantes da turma, com divisão entre os envolvidos.

Pagamentos e dados sigilosos

A PF aponta que Vorcaro e outros funcionários recebiam o repasse mensal de Mourão, com comprovantes de pagamento ligados à King Empreendimentos. Também houve registro de acesso de Mourão a dados de órgãos públicos por credenciais de terceiros.

Investigação ainda aponta que Mourão acessou bases sigilosas de PF, MPF e até organismos como FBI e Interpol, utilizando credenciais falsas para obter informações restritas. O material envolve relatos de diligências e comunicações com autoridades.

Em outra linha, Vorcaro acionou Mourão para agir contra uma ex-funcionária que o estaria ameaçando, com instruções sobre endereços e contatos. Esse episódio integra o conjunto de ações para intimidar o ambiente.

Ameaças a imprensa e jornalistas

Mensagens entre Vorcaro e Mourão revelam intenção de agir contra o jornalista Lauro Jardim, de O Globo e da CBN, após a divulgação de notícia contrária aos interesses do grupo. Os dialogos sugerem planejamento de intimidação e perseguição, com avaliação de ações de retaliação.

A atuação de dois servidores do BC também é mencionada, com diálogos diretos entre Vorcaro e ocupantes de cargos de fiscalização. A compra do Banco Master, rebatizado a partir de 2021, é citada como foco de atuação do grupo.

Servidores do Bacen e possíveis vantagens

Paulo Sérgio Neves de Souza, então diretor de fiscalização, aparece como figura central na autorização de aquisição do banco pelo grupo. Mensagens indicam que ele orientava Vorcaro em reuniões com o presidente do Bacen, além de trocar informações com o investigado.

Outro servidor citado é Belline Santana, chefe do Departamento de Supervisão Bancária, que participou de reuniões privadas com Vorcaro para tratar de estratégias institucionais perante o Bacen e encaminhar informações ao Ministério Público.

A investigação aponta ainda que Santana participou de tratativas para orientar a atuação do Banco Master, incluindo contatos para tratar de assuntos sensíveis e evitar registro formal de comunicações.

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